Jorge Jesus se apresenta à seleção portuguesa e revela papo com Neymar: 'Você acabou'

Treinador se apresenta à seleção portuguesa e cita atacante brasileiro ao explicar como vai ser sua relação com Cristiano Ronaldo

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Jorge Jesus é apresentado como novo treinador de Portugal — Foto: Pedro Rocha/AFP

Apresentado como novo técnico de Portugal nesta sexta-feira, Jorge Jesus foi imediatamente perguntado sobre a relação com Cristiano Ronaldo, astro da equipe. Ao responder, o treinador citou o trabalho no Al-Hilal, quando precisou dizer a Neymar que não havia mais condições de utilizá-lo.

Já treinei dois dos três melhores jogadores do mundo, falta-me o terceiro, que é o Messi. Treinei o Neymar e treinei o Ronaldo. Ao Neymar, um dia eu disse assim: "Tu Finish" (Você acabou), ok? O que eu achar melhor para a equipe e para a seleção, assim será feito.

Jorge Jesus e Neymar trabalharam juntos de agosto de 2023 até janeiro de 2025 no Al-Hilal. No começo de 2025, o treinador decidiu não inscrever o atacante no Campeonato Saudita devido ao limite de estrangeiros.

O português afirmou que gostaria de contar com o brasileiro para a disputa da Champions League da Ásia, mas o brasileiro achou insuficiente e decidiu voltar para o Santos. Pouco depois de retornar ao Brasil, o atacante admitiu que ficou chateado quando Jesus disse que o atleta não conseguia acompanhar fisicamente o restante do time.

Cristiano Ronaldo em alta com o Mister

Cristiano Ronaldo disse após a eliminação portuguesa na segunda-feira que esta foi a última Copa do Mundo de sua carreira, mas nesta sexta Jorge Jesus evitou dar por encerrado o ciclo do astro português com a camisa da seleção.

- Ainda não falei com o Cris. Nunca vai ser um problema para a Seleção nem para mim. Cada um pensa como quiser. Quando tiver de tomar alguma decisão, vou falar com ele. Mas não só com ele, vou falar com todos individualmente. Não vou falar com o Cris por ser o Cris. Ele é um símbolo do futebol português, da seleção, de Portugal. Isso vai ficar sempre na história e tive um grande prazer de trabalhar com ele este ano.

- É facílimo trabalhar com ele. Desde que eu entenda até onde ele pode chegar e até onde posso chegar. É a relação treinador e jogador. A partir daí, as conversas serão fáceis. Será sempre ele a decidir o que quer fazer na carreira. Se estiver jogando e tiver condições para jogar, se for selecionável, vou convocá-lo, dentro do limite e das condições que achar melhores para a seleção.

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Mais sobre Cristiano Ronaldo

- No ano passado, o Al-Nassr fez 50 jogos, e ele disputou 31. No campeonato, o substituí 16 vezes. Nunca confundimos o que é ele, o jogador, e o que sou eu, o treinador, e as decisões que tenho de tomar.

Ao falar da possibilidade de usar jovens, como Rodrigo Mora e Geovany Quenda, Jesus cita CR7 novamente.

- São dois jovens, como há mais. Portugal tem uma formação de qualidade, a nível de clubes. Portugal é o Brasil da Europa. No Brasil, você dá um chute numa pedra, e sai um jogador. Portugal tem isso. Faltam quatro anos para o Mundial e são os jogadores que vão ditar quem vai. A idade não é problema. O que importa é o valor. Se for um jovem preparado, será integrado. Dos 12 que trabalharam comigo, quatro ou cinco fui eu que os lancei: Rafael Leão, Gonçalo Guedes, João Cancelo e Bernardo Silva.

- Não olho para o jogador pela idade, é o mesmo com o Cristiano. Trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia 8km por jogo, com velocidade acima dos 25km/h. Quando achava que tinha de jogar, jogava. Não tinha a certeza se metia o Cristiano a jogar sempre.

Cristiano Ronaldo como um dos capitães

Quanto aos capitães, são cinco: o Cristiano, o Bernardo Silva, o Bruno Fernandes, Rúben Dias e o Diogo Costa. Não sei qual a ordem. Não tenho muito o hábito de que os anos de Seleção influencie nos capitães. O capitão é muito mais do que isso. O capitão é o expoente máximo do pensamento do treinador. Quanto ao Bernardo, em 2013 era um menino que estava a começar os passos dele, com muita ambição, que confiava muito nele e que queria ser jogador.

É o maior desafio da sua carreira?

- Há muita tendência de dizer que um treinador de seleções é diferente de um treinador de uma equipa. Não é verdade. A diferença é que não tem tantos dias de trabalho. O futebol não é uma ciência exata, mas é uma ciência de cada um. Vou adaptando-me. Preparei-me para este dia. Preparei-me desportivamente para ser um técnico de seleção. Mas não será diferente de trabalhar num clube.