Política
Depoimento de Flávio à PF ganha tom político, e defesa aposta em comparação com caso Lulinha
Investigação conduzida por Alexandre de Moraes deve ser incorporada à estratégia eleitoral do senador, avaliam analistas
BATANEWS/VEJA
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta semana que a Polícia Federal ouça o senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura uma suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista Robson Bonin afirmou que a investigação deverá ser incorporada à estratégia política da pré-campanha do senador, enquanto o cientista político Rafael Cortez avaliou que a judicialização tende a ocupar papel central na disputa presidencial de 2026 (este texto é um resumo do vídeo acima).
Por que Flávio Bolsonaro será ouvido pela Polícia Federal?
A decisão de Moraes atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a realização do depoimento antes de decidir se oferece denúncia ou pede o arquivamento da investigação. Com isso, o ministro determinou o retorno dos autos à PF para que a oitiva seja realizada no prazo máximo de dez dias.
Segundo Robson Bonin, a reação da defesa deverá ir além dos argumentos jurídicos e buscar transformar o episódio em um embate político direto com o presidente Lula. Na avaliação do colunista, a principal linha pró-Flávio será sustentar que há diferença de tratamento entre investigações envolvendo aliados do governo e aquelas que atingem integrantes do bolsonarismo. “O objetivo será inverter a pressão e transformar esse caso em confronto político com o presidente Lula”, afirmou.
Por que o caso do INSS deve entrar na argumentação?
Bonin explicou que os advogados do senador pretendem comparar a rapidez das investigação contra Flávio com o andamento das apurações relacionadas às fraudes no INSS envolvendo Lulinha. Segundo o colunista, a PF informou ao Supremo que enfrenta limitações de pessoal para analisar provas reunidas naquele inquérito, enquanto o procedimento envolvendo Flávio avança em ritmo acelerado.
A partir dessa comparação, a defesa deverá sustentar que “a roda da Justiça gira rápido apenas quando o objetivo é punir o senador bolsonarista”.
Qual é o objeto da investigação?
A apuração envolve uma publicação feita por Flávio após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. Na avaliação de Bonin, independentemente do desfecho jurídico, o caso tende a ser incorporado ao discurso político da campanha presidencial. “Esse barulho político acaba servindo como munição eleitoral”, afirmou.
A judicialização será uma das marcas da eleição?
Para Rafael Cortez, a sucessão presidencial deverá ser fortemente influenciada por disputas travadas no Judiciário. Segundo o cientista político, campanhas competitivas e marcadas por elevados índices de rejeição tendem a recorrer cada vez mais aos tribunais como parte da estratégia eleitoral. “A batalha judicial vai dar o tom da campanha de 2026”, afirmou.
Ele observou que o ambiente digital favorece mensagens de forte impacto e grande circulação, estimulando campanhas a investir simultaneamente em comunicação e estrutura jurídica para enfrentar disputas que devem permanecer equilibradas até o fim.
O que isso revela sobre o debate eleitoral?
Na reta final da discussão, Bonin afirmou que a sucessão presidencial corre o risco de ficar concentrada em conflitos judiciais e acusações entre adversários, deixando em segundo plano temas ligados à administração pública e às propostas para o país. Para o colunista, discussões sobre processos, investigações, tarifas internacionais e embates políticos acabam ocupando o espaço que poderia ser dedicado ao debate de programas de governo. “É um deserto de ideias”, resumiu.





