Monotonia alimentar é a chave para emagrecer? O que descobriu um novo estudo

Experimento mostra que rotina estruturada faz diferença na perda de peso - mesmo com mais flexibilidade no fim de semana

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Repetir refeições: previsibilidade pode ajudar no processo de emagrecimento (Foto: VEJA SAÚDE/VEJA)

Um dos mantras mais entoados pelos nutricionistas é a importância da diversidade alimentar, ou seja, a variedade de ingredientes e combinações é extremamente bem-vinda para garantir as substâncias essenciais à saúde. Essa premissa continua de pé, mas uma nova pesquisa sugere que, se o objetivo é perder peso, adotar um cardápio com menos opções e tanta flexibilidade pode ser útil.

O experimento, conduzido pelo Instituto de Pesquisa do Oregon, nos Estados Unidos, envolveu 112 pessoas acima do peso e se baseou na criação de um programa estruturado para emagrecimento com 12 semanas de duração. Os voluntários, com sobrepeso ou obesidade, foram orientados a realizar ajustes na dieta e a manter registros diários do que comiam em um aplicativo de celular.

Ao analisarem o padrão de refeições e o efeito na massa corporal, os cientistas constataram que as pessoas seguindo um menu mais monótono, com repetição de pratos e alimentos, tiveram maior perda de peso no período avaliado.

“Isso nos indica que, quando uma pessoa tem uma dieta mais previsível, com uma menor necessidade de tomar decisões sobre o que vai comer toda hora, há uma redução da fadiga mental e uma facilidade de adesão ao plano de emagrecimento”, comenta a nutricionista Lara Natacci, Ph.D. pela USP e diretora da Dietnet, em São Paulo.

Outra descoberta interessante foi que mesmo os indivíduos que ingeriam um pouco mais de calorias no fim de semana apresentaram melhores resultados na balança. “Esse achado sugere que a flexibilização no fim de semana, após uma rotina mais estruturada ao longo dos demais dias, ajuda a reduzir a sensação de restrição e colabora para a continuidade do padrão alimentar”, diz Natacci.

A principal conclusão do trabalho, na realidade, não é que a monotonia alimentar é a chave do emagrecimento. Mas que a rotina e a manutenção de um nível calórico estável realmente importam na hora de aderir a uma reeducação alimentar.

“Mas temos que lembrar que se trata de um estudo observacional, com dados levantados a partir do relato dos participantes, o que não permite estabelecer uma relação de causa e efeito”, pondera a nutricionista.

Contudo, a experiência americana reforça a mensagem de que a organização do cardápio faz diferença no dia a dia. É a velha história: se você tiver uma marmita balanceada congelada à mão, pode contar com ela em vez de pedir hambúrguer no delivery. “E, independentemente das escolhas, a qualidade nutricional também precisa ser respeitada”, pontua Natacci.