Agronegócios
PIB do agro cresce 12,2% em 2025 e supera R$ 3,2 trilhões, aponta Cepea/CNA
Participação do setor sobe para 25,1% do PIB brasileiro, com crescimento puxado pela pecuária.
BATANEWS/OPR
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro recuou 1,11% no quarto trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil . Apesar da queda no fim do ano, o setor encerrou 2025 com alta acumulada de 12,20%.
Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, todos os segmentos do agronegócio apresentaram retração. Os insumos recuaram 2,32%, o segmento primário caiu 0,92%, as agroindústrias registraram queda de 1,48% e os agrosserviços, de 0,86%, conforme a Tabela 1. O movimento reflete a perda de fôlego dos preços, após a valorização observada a partir da segunda metade de 2024, que sustentou o crescimento nos trimestres anteriores.
Na análise por ramos, o resultado foi heterogêneo. O segmento agrícola teve retração de 2,43% no quarto trimestre, com quedas em todos os elos da cadeia: insumos (-1,91%), produção agrícola (-1,38%), agroindústrias (-2,80%) e agrosserviços (-2,79%). Já o ramo pecuário cresceu 1,81% no período. Mesmo com recuos nos insumos (-2,87%) e no segmento primário (-0,08%), houve expansão nas agroindústrias (2,88%) e nos agrosserviços (3,15%), também detalhados na Tabela 1.
No acumulado de 2025, o avanço de 12,20% do PIB do agronegócio foi puxado principalmente pela pecuária, que registrou crescimento de 32,55%, enquanto o ramo agrícola teve alta mais moderada, de 3,40%, conforme a Tabela 2.
Apesar do crescimento expressivo no acumulado de 2025, o desempenho do PIB do agronegócio foi fortemente influenciado pelo comportamento dos preços. A recuperação começou ainda no segundo semestre de 2024, quando as cotações passaram a subir de forma mais consistente, após um período de níveis mais baixos no início daquele ano. A valorização se intensificou no fim de 2024 e foi determinante para reverter um cenário que até então indicava retração no PIB do setor.
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Ao longo de 2025, os preços reais permaneceram elevados, embora com desaceleração gradual do ritmo de alta trimestre a trimestre. Com a consolidação dos dados do quarto trimestre, o resultado final ficou mais moderado do que indicavam as projeções parciais ao longo do ano. Ainda assim, o avanço foi sustentado por dois fatores combinados: manutenção de preços em patamares superiores aos de 2024 e crescimento da produção.
O resultado anual também se destaca na série histórica. O avanço de 12,20% representa o segundo maior crescimento já registrado para o PIB do agronegócio. Além do efeito preço, houve expansão relevante do volume produzido. O chamado PIB-volume cresceu 6,76% em 2025, indicando aumento efetivo da atividade no campo e nos demais elos da cadeia.
A combinação entre alta de preços e expansão da produção foge ao padrão histórico do setor. Em ciclos anteriores de forte crescimento do volume, como 2004, 2010, 2013, 2017 e 2023, o movimento predominante foi de queda nos preços. Em 2025, a dinâmica foi distinta, com os dois vetores atuando no mesmo sentido e ampliando o resultado agregado do agronegócio.
Insumos, campo e indústria mostram ritmos distintos em 2025
Sob a ótica dos segmentos, o PIB de insumos acumulou alta de 5,37% em 2025. O resultado foi puxado pelos insumos de base agrícola, que
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cresceram 12,51%, enquanto os insumos voltados à pecuária recuaram 11,67%. No caso agrícola, o avanço acompanha o aumento da produção e maior demanda por fertilizantes, defensivos e máquinas. Os fertilizantes também foram favorecidos pela elevação de preços ao longo do período. Já a retração nos insumos pecuários reflete, principalmente, o desempenho negativo da indústria de rações, pressionada pela queda das cotações.
No segmento primário, o crescimento foi mais expressivo, com alta de 17,06% no ano. A produção agrícola avançou 13,09%, sustentada pelo aumento de volume em culturas como milho e café, mesmo com preços médios mais baixos. Na pecuária, o crescimento chegou a 24,16%, apoiado tanto pela elevação dos preços em relação a 2024 quanto pelo aumento da produção nas principais atividades.
A agroindústria registrou crescimento de 5,60% no período, mas com comportamento desigual entre os ramos. As indústrias ligadas à produção agrícola recuaram 3,33%, impactadas pela queda de preços, apesar do maior volume processado. Em contraste, a agroindústria de base pecuária avançou 36,54%, impulsionada pela valorização dos produtos e pelo aumento da produção. O desempenho também foi favorecido pelo ritmo das exportações, que sustentou a demanda ao longo do ano.
Serviços do agro crescem puxados pela pecuária
O PIB dos agrosserviços cresceu 13,76% em 2025, com desempenho sustentado principalmente pelo ramo pecuário. Os serviços ligados à agropecuária de base agrícola tiveram alta de 1,13%, acompanhando a evolução mais moderada da produção e dos insumos ao longo do ano. Já os agrosserviços de base pecuária avançaram 41,59%, refletindo o maior dinamismo da atividade em toda a cadeia, da produção ao processamento e à distribuição, conforme detalhado na Tabela 2.
Com esse desempenho, o PIB do agronegócio brasileiro somou R$ 3,20 trilhões em 2025. Desse total, R$ 2,06 trilhões vieram do ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão da pecuária, considerando valores a preços do quarto trimestre, de acordo com a Tabela 3.
A participação do agronegócio na economia nacional também aumentou. O setor respondeu por 25,13% do PIB brasileiro em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024, reforçando o peso da atividade no conjunto da economia.



