Pecuária
Boi gordo sente pressão aumentar com pastagens ruins e cautela dos frigoríficos; o que esperar?
Com oferta crescente e menor poder de retenção no campo, mercado do boi gordo registra queda em diferentes regiões, enquanto consumo fraco e concorrência com outras proteínas limitam reação dos preços
BATANEWS/REDAçãO
O mercado do boi gordo voltou a dar sinais claros de enfraquecimento nos preços em diversas regiões do Brasil, refletindo um cenário de maior pressão de venda por parte dos pecuaristas e postura mais cautelosa dos frigoríficos. Ao longo dos últimos dias, as negociações passaram a ocorrer em patamares mais baixos, consolidando um movimento de ajuste que já começa a ganhar força nas principais praças pecuárias do país.
De acordo com levantamento da Safras&Mercados, o recuo vem sendo observado de forma relativamente uniforme, com tentativas de compra em níveis mais baixos se tornando mais frequentes, especialmente em estados como Goiás e Minas Gerais, onde a situação das pastagens tem contribuído para acelerar a oferta de animais terminados . Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Pressão maior em Goiás e Minas com impacto direto do clima
Um dos principais fatores por trás dessa movimentação é a deterioração das condições das pastagens. Após um mês de abril marcado por estresse hídrico, regiões importantes da pecuária nacional passaram a enfrentar dificuldades na manutenção do gado no campo.
Isso reduz a capacidade de retenção dos pecuaristas, que acabam sendo obrigados a antecipar a venda dos animais, aumentando a oferta no mercado. Esse movimento é mais evidente em Goiás e Minas Gerais, onde a qualidade das forragens foi mais afetada, intensificando a pressão sobre os preços do boi gordo.
Por outro lado, estados como Mato Grosso e regiões do Norte ainda apresentam pastagens mais vigorosas, o que permite maior retenção e tende a suavizar as quedas, ao menos em um primeiro momento. Queda se espalha por diversas praças e confirma mudança de comportamento do mercado
Dados da Agrifatto mostram que o recuo não está restrito a uma ou outra região. No dia 28 de abril, os preços caíram em São Paulo e em outras sete praças monitoradas — incluindo Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Tocantins e Espírito Santo. Em outras localidades, as cotações permaneceram estáveis, indicando um movimento de ajuste gradual no mercado .
Em São Paulo, referência nacional, o boi gordo “comum' passou a ser negociado ao redor de R$ 355/@, enquanto o chamado “boi-China' — voltado à exportação — ficou próximo de R$ 365/@. Já a média das demais praças acompanhadas caiu para cerca de R$ 342,70/@, reforçando o viés de baixa .
Levantamento adicional aponta que, em algumas negociações, houve recuo de até R$ 2 por arroba no mercado paulista, evidenciando a tentativa dos compradores de pressionar ainda mais os preços. Média nacional da arroba mostra acomodação nos preços do boi gordo
Os dados mais recentes indicam que a arroba do boi gordo vem operando em diferentes níveis pelo país: São Paulo: R$ 357,83/@ (prazo) Goiás: R$ 341,43/@ Minas Gerais: R$ 340,29/@ Mato Grosso do Sul: R$ 350,80/@ Mato Grosso: R$ 356,42/@
Os números refletem um mercado ainda heterogêneo, mas com tendência clara de acomodação e perda de sustentação em diversas regiões. Atacado travado e consumo enfraquecido limitam reação
No elo final da cadeia, o mercado atacadista também contribui para o cenário de pressão. Os preços da carne bovina seguem em ritmo de acomodação, com pouca margem para reajustes, especialmente na segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor consumo.
Além disso, a carne bovina enfrenta perda de competitividade frente a proteínas mais baratas, como o frango, o que reduz ainda mais o espaço para valorização.
Atualmente, os cortes estão sendo negociados em níveis como: Quarto traseiro: R$ 28,50/kg Quarto dianteiro: R$ 23,50/kg Ponta de agulha: R$ 21,50/kg
Esse cenário reforça a postura conservadora dos frigoríficos, que evitam alongar escalas com preços mais altos. Exportações seguem firmes, mas não evitam ajustes no curto prazo
Apesar do momento de pressão, o mercado externo continua sendo um importante fator de sustentação dos preços da arroba. As exportações de carne bovina seguem aquecidas, o que ainda ajuda a evitar quedas mais bruscas.
No entanto, o mercado já começa a precificar riscos, como o avanço da utilização da cota chinesa. Há expectativa de que esse limite seja atingido por volta de meados de junho, o que pode trazer novas variáveis para a formação de preços no segundo semestre . Momento é de ajuste e cautela no mercado do boi gordo
A leitura predominante entre analistas é de que o mercado do boi gordo passa por um período típico de ajuste, após meses de preços sustentados pela oferta restrita de animais terminados.
Agora, com maior oferta, pastagens pressionadas e consumo interno enfraquecido, o setor entra em uma fase de maior cautela, com compradores testando valores mais baixos e vendedores avaliando o melhor momento para negociar.
O comportamento das chuvas, a evolução das exportações e o ritmo de consumo interno devem seguir como fatores decisivos para os próximos movimentos da arroba.
*Escrito por Compre Rural Notícias



