Desfile reacende denúncias de propaganda eleitoral contra Lula

Há ações no TCU, na Justiça Comum e na Justiça Eleitoral contra o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente no sambódromo

BATANEWS/PODER360


Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil', a agremiação foi a 1ª a se apresentar

A homenagem da escola da samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em desfile no domingo (15.fev.2026) foi alvo de vários questionamentos da Oposição de que a iniciativa configuraria propaganda eleitoral antecipada, uma vez que o petista é pré-candidato ao Planalto.

As medidas incluíram representações no Ministério Público e no TCU (Tribunal de Contas da União), bem como ações na Justiça comum e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Houve a tentativa de impedir a apresentação e a ida do petista à Marquês de Sapucaí, assim como o repasse de recursos públicos à agremiação de Niterói, que estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Conforme a Lei Eleitoral, a propaganda de um candidato só é permitida a partir de 16 de agosto.

Estão entre as contestações ao desfile:

A escolha do enredo não foi a única controvérsia protagonizada pela agremiação fluminense. O Poder360 mostrou, em 5 de fevereiro, que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

A Acadêmicos de Niterói teve como samba-enredo ”Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil'. Fundada em 2018, a escola participou de só 3 carnavais antes de vencer a Série Ouro (antigo Grupo de Acesso), em 2025, e ser alçada ao grupo de elite do carnaval do Rio em 2026. Competiu com agremiações tradicionais do Rio de Janeiro, como Mangueira, Portela e Salgueiro. 

A apresentação no sambódromo teve início às 22h13 de domingo (15.fev). O desfile durou 79 minutos, dentro do tempo máximo permitido (80 minutos).

Lula foi o 1º presidente no cargo a ser tema central de um desfile de escola de samba durante o Carnaval. O petista assistiu à apresentação in loco acompanhado de alguns governistas e aliados no camarote cedido pela prefeitura do Rio.

A primeira-dama Janja havia sido escalada para desfilar no último carro-alegórico da agremiação de Niterói, ao lado de amigos de Lula, mas desistiu de última hora. O medo da aparição ser considerada campanha eleitoral antecipada pesou na decisão.

Ao todo, 7 presidentes da República já foram retratados em desfiles de escolas de samba no Carnaval. Saiba mais nesta reportagem.

Na 5ª feira (12.fev), o Palácio do Planalto determinou que o carro alegórico que levaria os amigos do presidente Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói ficasse restrito a aliados sem mandato e sem cargos públicos. A decisão buscou reduzir riscos jurídicos e eleitorais da homenagem ao petista mesmo depois da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de rejeitar pedidos de suspensão.

Segundo apurou o Poder360, a orientação foi reforçada depois de reuniões no Planalto e análises de advogados. A avaliação interna foi de que não haveria problema jurídico ou eleitoral, mas a presença de ministros ou figuras públicas poderia gerar atritos e prejudicar a escola de samba estreante no Grupo Especial.