Pecuária
Verão mais quente eleva risco sanitário e impõe novos desafios à pecuária brasileira
Altas temperaturas, La Niña e maior variabilidade climática favorecem a proliferação de patógenos e aceleram a adoção de tecnologias de biossegurança para sustentar a competitividade das exportações.Compartilhe: Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
BATANEWS/OPR
A próxima temporada de verão deve repetir e possivelmente ampliar o padrão de calor extremo registrado no último ano no Brasil. As temperaturas ficaram acima da média em grande parte do território nacional em 2024, e a previsão para a próxima estação indica novos episódios de calor intenso, formação de La Niña e maior variabilidade climática. Esses fatores favorecem a proliferação de vírus, bactérias e vetores de doenças que impactam diretamente a criação animal.
Esse cenário representa um desafio crítico para o agronegócio brasileiro, especialmente quando o país depende de sua competitividade sanitária para sustentar as exportações agropecuárias, que já alcançaram US$ 155 bilhões até novembro de 2025, segundo balanço da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Foto: Divulgação/Fazenda Figueira
A combinação de estresse térmico nos animais, aumento da carga microbiana em ambientes de produção e o maior risco de contaminação durante transporte e manejo exige uma transição rápida para modelos mais robustos, preventivos e tecnológicos de controle sanitário. “Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo”, afirma o engenheiro elétrico Vinicius Dias, acrescentando: “Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias.”
As soluções automatizadas de biossegurança já permitem monitorar criticamente etapas como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. Cada procedimento passa a gerar dados auditáveis, que facilitam a comprovação de conformidade para parceiros internacionais, especialmente diante das exigências de mercados como União Europeia, China e Oriente Médio. “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio. Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica”, destaca Dias.
A combinação entre aquecimento global, eventos climáticos mais frequentes e pressão por padrões sanitários mais rígidos coloca a proteção sanitária no centro da estratégia de sustentabilidade, produtividade e competitividade do setor. Para a pecuária brasileira, além de enfrentar o verão, o desafio está em estruturar sistemas resilientes que garantam segurança ao longo de todo o ano.





