Agronegócios
Oferta de etanol deve subir e derrubar preços em 2026
Margens das usinas deverão sofrer reduções, afirmam analistas e executivos.
BATANEWS/BRASILAGRO
O mercado deetanoldeve passar por um avanço expressivo na oferta na próxima safra (2026/27), que começa oficialmente em abril, o que deve superar o aumento da demanda e reduzir os preços, segundo analistas e executivos do setor. Esse cenário indica que deve haver uma redução das margens tanto das usinas tanto decana-de-açúcarcomo das usinas de milho, que estão vivendo uma forte expansão e ganhos elevados nos últimos anos.
A pressão sobre os preços deve refletir principalmente a queda dos preços doaçúcarno mercado internacional, que nos níveis atuais tende a estimular as usinas de cana a migrarem uma parte maior de sua matéria-prima para a produção deetanol, segundo Lucas Brunetti, analista do Itaú BBA, em apresentação em evento da Novonesis em São Paulo.
Recentemente, os contratos futuros doaçúcarchegaram a alcançar o patamar de 15 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, mas já voltaram acima de 16 centavos de dólar a libra-peso. Nas contas do banco, considerando um cenário-base em que os preços doaçúcarnão fiquem no patamar de 15 centavos de dólar, mas que continuem pressionados, os preços doetanolhidratado tendem a cair 10% na próxima safra.
Nesta situação, o Itaú BBA estima que a produção deetanoltotal do Brasil pode aumentar pouco menos de 6 bilhões de litros na próxima safra, sendo 3 bilhões de litros doetanolde cana no Centro-Sul e 2 bilhões de litros doetanol de milho. Com essa oferta projetada, a produção adicional deve atender tanto o aumento de mistura doetanolanidro à gasolina, agora em 30% como atender o crescimento do consumo de combustíveis de veículos leves em geral (ciclo Otto), além de ganhar participação sobre a gasolina.
Brunetti estima que o mercado deetanolhidratado tende a ganhar espaço e alcançar uma participação de mercado de 26% no ciclo Otto, frente a um percentual de 21% esperado para esta temporada 2025/26. Para ganhar esse mercado, o preço doetanolhidratado terá que cair, ressaltou.
A alta capacidade instalada de produção deetanolnas usinas de cana, que hoje está 'adormecida' por causa da maximização da produção deaçúcar, é um ponto de atenção, na visão de Mário Stênico, head de research e trading da Inpasa. Ele evitou estimar quanto pode mudar o mix das usinas de cana, mas ressaltou que o cenário é de 'cautela'.
Outro fator que também deve pesar sobre os preços doetanolé o cenário para o mercado global de petróleo. Stênico afirmou que os preços do hidrocarboneto já saíram de mais de US$ 100 o barril em 2022 para uma faixa deUS$ 60a US$ 65 o barril neste ano, com tendência baixista, dado o aumento da produção pela Opep de xisto nos EUA.
Para Larissa Peres, analista do JP Morgan, o principal desafio para a indústria hoje é o preço deetanol. Ela ressaltou que os projetos de novas indústrias deetanol de milhoindicam que haverá uma oferta adicional de 18,5 bilhões de litros de biocombustível até o fim da década. 'Podemos ter uma sobreoferta no curto prazo. Pelas nossas contas, enxergamos uma sobreoferta de 5% a 6% em média até 2030', afirmou. E isso deve representar um aperto nas margens e nos retornos, acrescentou.
Atualmente, uma indústria média deetanol de milhopura (que processa apenas o grão) tem um retorno sobre investimento (ROIC) de 18,5%, nas contas do JP Morgan. Já uma usina de cana que destina 50% da matéria-prima para oaçúcare 50% paraetanoltem um ROIC médio de 11%, enquanto uma destilaria deetanolde cana tem um ROIC de 8%, segundo o banco.
As indústrias deetanol de milhocostumam ter uma rentabilidade maior do que as usinas de cana por causa do DDGS, explicou Peres. No entanto, as perspectivas para o preço do produto também não são positivas, afirmou Rafael Verruck, diretor comercial de mercado interno de DDGS da Inpasa.
'O DDG está muito correlacionado com o preço do farelo de soja, que tende a ter mais oferta com o aumento do processamento', explicou. Embora existam 14 tipos de DDGs sendo produzidos pelas usinas deetanol de milhono Brasil, cm diferentes perfis nutricionais, os preços ainda oscilam de acordo com o do farelo de soja, considerados substitutos.
Stênico defendeu que a indústria doetanol de milhoprecisa fomentar a demanda poretanolhidratado em mercados que hoje ainda não consomem o biocombustível, como no Norte e no Nordeste. Hoje, enquanto oetanolhidratado representa 53% do mercado de combustíveis leves no Mato Grosso, onde houve a construção de várias usinas deetanol de milhona última década, o biocombustível representa ainda apenas 3% das vendas do ciclo Otto em Maranhão.
Neste ano, a Inpasa começou a operar uma usina de etanol de milho em Balsas, no Maranhão — Foto: Divulgação
Neste ano,a Inpasa começou a operar uma usina de etanol de milho em Balsas, no Maranhão, mas a produção ainda é mais voltada para a atender a demanda local deetanolanidro para mistura à gasolina, segundo Stênico.
A possibilidade de ganhar facilmente mais mercados é o que dá mais segurança para o mercado, na avaliação de Thiago Milani, diretor de commodities da 3tentos. A empresa está construindo uma usina deetanol de milhoem Mato Grosso, que deve começar a operar no primeiro trimestre do ano que vem. 'O mais importante para nós que o aumento de consumo deetanoltem espaço', afirmou (Globo Rural, 30/9/25)





