Economia
Trigo de boa qualidade fica escasso no mercado brasileiro após chuvas
Em São Paulo, apenas 10% a 15% do cereal colhido deve atingir a classificação tipo 1, segundo estimativa do Sindustrigo.
BATANEWS/OPR
A perda de qualidade do trigo colhido no Brasil, provocada pelas chuvas durante a colheita, tem limitado a oferta de cereal adequado à moagem e sustentado a valorização dos preços. O cenário também foi influenciado pela alta do dólar frente ao Real na última semana de outubro, conforme levantamento de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Com dificuldade para encontrar matéria-prima dentro dos padrões exigidos no mercado interno, moinhos têm recorrido à importação de trigo, mesmo diante do câmbio desfavorável. O aumento dos custos de aquisição também tem sido repassado aos preços das farinhas.
Em São Paulo, as precipitações registradas ao longo de setembro comprometeram a qualidade do cereal. Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo), a estimativa é de que apenas 10% a 15% do volume colhido possa ser classificado como tipo 1.
Na região Sul, o cenário também preocupa as indústrias. Agentes consultados pelo Cepea relatam dificuldades para encontrar trigo com características adequadas à fabricação de derivados. Parte dos moinhos continua negociando estoques remanescentes da safra anterior, cuja qualidade superior mantém os preços pedidos pelos vendedores em patamares elevados.
Já o trigo da safra atual apresenta problemas mesmo entre os lotes classificados como tipo 1, que frequentemente registram parâmetros fora dos padrões exigidos pelas indústrias. Os volumes classificados como fora de tipo (FT) têm sido direcionados à alimentação animal, tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 30 de outubro, 66,9% da área cultivada com trigo no país havia sido colhida.
Os indicadores do Cepea/Esalq mostram movimentações distintas nas cotações do trigo no Paraná e no Rio Grande do Sul nos primeiros dias de novembro.
No Paraná, o preço médio do trigo pão ou melhorador foi de R$ 1.565,43 por tonelada em 3 de novembro. O valor representa queda diária de 0,28%, mas permanece 1,65% acima do registrado no início de outubro.
No Rio Grande do Sul, a cotação chegou a R$ 1.484,33 por tonelada na mesma data, com alta diária de 0,15% e avanço mensal de 0,15%.
Apesar das oscilações recentes, a restrição de oferta de trigo com qualidade adequada à moagem mantém a atenção do setor, especialmente diante da necessidade de complementar o abastecimento por meio de importações.





