El Niño de 2026 registra marcas históricas e amplia atenção sobre o clima no Brasil

Temperatura do mar atingiu anomalia de 2,47 °C na região Niño 3.4 em outubro. Fenômeno pode estar entre os mais intensos já registrados.

BATANEWS/OPR


Foto: Antonio Carlos Mafalda

O El Niño de 2026 atingiu níveis históricos de aquecimento no Oceano Pacífico, conforme dados divulgados na terça-feira (3) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em outubro, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 apresentou anomalia positiva de 2,47 °C, a maior já registrada para o mês. O índice enquadra o episódio na categoria de intensidade muito forte.

Na região Niño 3, que exerce influência significativa sobre o clima da América do Sul, a anomalia mensal chegou a 3,56 °C. Ambas as áreas de monitoramento estão localizadas no Pacífico Equatorial.

Os dados semanais também apontam marcas expressivas. Na região Niño 1+2, próxima à costa do Peru e do Equador, a anomalia alcançou 4,6 °C na última semana de outubro, igualando o maior valor da série histórica, iniciada em 1981, registrado em junho de 1983. Segundo o Inmet, essa área tem influência limitada sobre o clima brasileiro.

Já na região Niño 3, o aquecimento chegou a 3,7 °C na última semana de outubro. O resultado superou o recorde anterior, de 3,6 °C, observado em dezembro de 1982.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. O fenômeno modifica a circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil.

Para o setor agropecuário, essas mudanças merecem atenção pelo potencial de interferência no calendário de plantio, no desenvolvimento das lavouras e nas condições de produção. Os efeitos, contudo, variam conforme a região, a época do ano e a intensidade do episódio.

Em 2026, o fenômeno começou a se configurar em junho e apresentou aquecimento acelerado nos meses seguintes. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), existe a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos já registrados.

O Inmet ressalta que a dimensão dos impactos depende também de fatores atmosféricos regionais. Por isso, o monitoramento das próximas semanas será importante para avaliar a evolução do El Niño e seus possíveis efeitos sobre o clima brasileiro.