Policial
Irmãos e filhos comandavam esquema que movimentou mais de R$ 500 milhões; grupo é alvo da PF
INVESTIGAMS/WENDELL REIS
Operação da Polícia Federal e Receita Federal, realizada nesta quarta-feira, tem como alvo um grupo que movimentou R$ 500 milhões. Segundo a polícia, a estrutura criminosa seria liderada por um núcleo familiar composto por três irmãos, seus filhos e outros parentes, contando ainda com a participação de diversos nacionais e estrangeiros vinculados às atividades do grupo.
São cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas. Entre os alvos já identificados estão o empresário Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã, e o policial Civil Douglas Tobias.
A Polícia Federal, em cooperação com a Receita Federal do Brasil, identificou que drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru, sendo posteriormente internalizados no território nacional por meio da faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.
Após a internalização, as cargas ilícitas eram distribuídas para diversos municípios do Estado e para outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina. As investigações também indicam a utilização do território brasileiro como plataforma logística para armazenamento, transporte e remessa de entorpecentes destinados ao mercado europeu, notadamente à Espanha e a Portugal.
As investigações indicam vínculos operacionais com facções criminosas, além da colaboração de agentes públicos que teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades da organização. Três policiais civis foram afastados da função.
Quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático, indicaram movimentação superior a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração. Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores.
“As análises fiscais conduzidas pela Receita Federal identificaram indícios de mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo interpostas pessoas, ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas', informa a Receita Federal.
As apurações tiveram início a partir do compartilhamento de elementos probatórios obtidos em investigação correlata. A partir desses elementos iniciais, foram representadas e deferidas diversas medidas cautelares, incluindo quebras de sigilos telemático, bancário e fiscal, além de outras técnicas especiais de investigação. Os procedimentos possibilitaram reconstruir a dinâmica operacional da organização, rastrear fluxos financeiros, identificar vínculos societários e patrimoniais, bem como compreender os mecanismos utilizados para a prática e ocultação das atividades ilícitas atribuídas ao grupo criminoso.
Os mandados são cumpridos em Mato Grosso do Sul e outros seis estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.





