Política
Zambelli pede doações de R$ 50 para se manter na Itália em troca de relato sobre vida na prisão
Ex-deputada fugiu para a Itália após ser condenada a dez anos de detenção em regime fechado e diz que condenação a impede de conseguir emprego
BATANEWS/VEJA
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) passou a pedir que seus apoiadores façam doações mensais de 50 reais para que ela possa se manter financeiramente na Itália, para onde fugiu em maio de 2025 para tentar escapar do cumprimento de uma condenação a dez anos de prisão em regime fechado imposta pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em troca, ela diz que enviará comentários sobre diversos temas aos pagantes, incluindo relatos com o que aprendeu enquanto ficou presa naquele país (foi detida em julho do ano passado em Roma e solta em maio de 2026).
“Eu abri uma comunidade [virtual] (… ). Você pode entrar e fazer uma inscrição: são 50 reais por mês. Eu sei que muita gente não tem condição de ajudar isso mensalmente, mas, se você tem condição, eu vou prover conteúdos exclusivos de várias áreas de conhecimento. Nós vamos falar sobre tudo. Também vou passar um pouco da experiência que eu tive na prisão e o que isso me ensinou. Eu tenho certeza de que isso pode ajudar em alguma coisa na sua vida”, anunciou Zambelli em um vídeo publicado nas redes sociais no final da segunda-feira, 2.
A justificativa da ex-parlamentar e apoiadora de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro é a de que ela não consegue trabalhar na Itália, onde continua vivendo, porque nenhum banco aceita abrir uma conta-corrente em seu nome devido à sua condenação no Brasil e à sua fuga internacional.
“Eu vim trazer essa situação para vocês porque, realmente, não tenho mais como resolver. [O ministro Alexandre de] Moraes destruiu a minha vida, porque, além de ter bloqueado tudo meu, ele também me impediu de abrir conta-corrente em qualquer lugar do mundo, porque ele colocou na Interpol um crime de invasão com prejuízo financeiro, que dá a entender que eu roubei um banco. Então, nenhum banco do mundo, seja digital ou daqui da Itália, quer abrir uma conta para mim”, disse.
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“Se você, um dia, me admirou, te peço essa ajuda, para que eu possa me manter na Itália até as coisas se resolverem no Brasil, eu poder ter uma oportunidade de trabalho, até eu poder abrir uma conta-corrente aqui e resolver minha situação financeira. Por enquanto, eu preciso da sua ajuda”, complementou Carla Zambelli.
A ex-deputada federal por São Paulo foi condenada a dez anos de prisão pelo STF por invadir os sistemas digitais do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Entre o fim de 2022 e janeiro de 2023, os sistemas do CNJ foram invadidos pelo hacker Walter Delgatti Neto, com a orientação e autoria intelectual dela, com o objetivo de inserir documentos falsos no sistema do órgão, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Ela também foi condenada a pagar uma indenização de 2 milhões de reais por danos morais (compartilhada com Delgatti), à perda do mandato após o esgotamento dos recursos (o que foi avalizado pela Câmara dos Deputados) e à inelegibilidade.
Perseguição com arma em punho
Zambelli também foi condenada a mais cinco anos e três meses de prisão em regime inicial semiaberto pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, bem como ao pagamento de uma multa de 400 salários-mínimos vigentes à época dos fatos (2022), com a devida atualização monetária. Essa condenação ocorreu após ela perseguir um eleitor nas ruas de São Paulo, apontando uma arma para ele, apenas por discordarem politicamente.
Na semana passada, o julgamento sobre a extradição de Zambelli para o Brasil foi adiado pela Corte de Apelação de Roma para o dia 24 de novembro de 2026, após a defesa dela ter solicitado a postergação da audiência, alegando que não teve tempo hábil para analisar novos documentos enviados pelo governo brasileiro sobre as condições de saúde e o sistema prisional no país.





