Suplente de Flávio no Senado se solidariza com fuga do parlamentar

Empresário diz que não vai se movimentar para tentar assumir a cadeira do candidato derrotado do PL

BATANEWS/VEJA


O empresário Paulo Marinho, primeiro suplente do senador Flávio Bolsonaro -  (Roque Sá (Agência Senado) e Ricardo Arduengo (AFP)/AFP)

O empresário Paulo Marinho (Republicanos-RJ) é primeiro suplente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),  candidato derrotado pelo presidente Lula no segundo turno e que logo em seguida fugiu para os Estados Unidos, sem perspectiva de retornar ao Brasil.

Marinho se solidarizou com o senador. “Eu compreendo as razões dele para ter deixado o país diante das circunstâncias que ele está vivendo aqui, dessa perseguição que ele está vivendo aqui. Quero fazer um gesto de carinho para ele”, ressaltou.

O empresário afirma que, apesar disso,  não tem nenhuma expectativa de assumir o lugar de Flávio no Senado e que não vai fazer nenhum tipo de articulação nesse sentido. Se depender do primeiro suplente, a Casa deverá ficar com um parlamentar a menos  até 31 de janeiro, quando se encerra o mandato.

Faltando apenas três meses para o final da legislatura, a mudança para outro país não resulta automaticamente em perda de mandato. O senador só perde o cargo se faltar a um terço das sessões. Mesmo em outro país, ele ainda pode pedir licença do cargo por até quatro meses.

Flávio poderia ser cassado na hipótese de ter ferido o decoro parlamentar ou se tivesse uma condenação transitada. Em casos de infração, condenação ou quebra de decoro, o Senado agiria provocado por algum partido político e a Casa teria de votar a cassação do mandato.

Se a denúncia chegar ao Conselho de Ética, o Senado teria de abrir um processo de cassação, que é longo, demorado e exige o voto de pelo menos 41 dos 81 senadores.

Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral

Flávio deve continuar recebendo o salário mensal de 46,3 mil reais. Na página oficial do Senado, o nome dele aparece como “senador em atividade”.

A relação entre o suplente e a família do senador é de idas e vindas. Em 2018, o empresário emprestou a sua a casa no Jardim Botânico, no Rio, para o então candidato Jair Bolsonaro montar seu comitê eleitoral. Posteriormente, Marinho rompeu com o clã.

Nas eleições de 2022, o empresário declarou voto em Lula. Em 2024, houve uma reconciliação. Neste ano, o filho do empresário, André Marinho (Novo), foi candidato a governador do Rio e declarou apoio a Flávio para presidente da República.

Paulo Marinho, 74 anos,  atuou no mercado financeiro, na indústria naval e na área de comunicação.