Flávio diz que não se arrepende de “absolutamente nada' e ataca Alexandre de Moraes

Senador disse que irá conversar com veículos de imprensa “sem cortes, sem filtro' para dizer “o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil'

BATANEWS/VEJA


Flávio Bolsonaro desembarca com a família em Miami, nos Estados Unidos - 28/10/2026 (Ricardo Arduengo/AFP)

Autointitulado “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, alcunha de que abriu mão depois de aliados culparem o ChatGPT pelo lapso, o senador Flávio Bolsonaro afirmou neste domingo, 1º, que não se arrepende de “absolutamente nada” do que fez e, em uma postagem na rede social X, atacou a imprensa e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A saída do presidenciável do país depois da derrota no segundo turno em um jatinho alegadamente providenciado por Jason Miller, personagem próximo do presidente Donald Trump, jogou por terra a tentativa de apoiadores do Zero Um de pintá-lo como moderado e respeitador do resultado das urnas e colocou em xeque o capital eleitoral que amealhou ao conquistar mais de 59 milhões de votos na reta final da campanha. O efeito político mais imediato é o risco de o PL, seu partido, perder musculatura na disputa pelos comandos da Câmara e do Senado em 2027. Como mostrou VEJA, o próprio presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) tem feito acenos à direita, enquanto o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) recebeu recentemente endosso de legendas do Centrão para seu projeto reeleitoral.

Em um longo texto no X, Flávio disse que dos Estados Unidos, para onde voou secretamente com a família, tem liberdade para expor suas avaliações sobre o que aconteceu nos últimos dias e afirmou que não será “alvo de um juiz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta”. A referência não nominada é ao ministro Moraes, que determinou a entrega de seus passaportes logo após a confirmação do revés no segundo turno. “Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: ‘Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos’”, completou Flávio. A reflexão que menciona, por sua vez, é uma fala do atual ministro do STF Cristiano Zanin, que em 2016, na condição de advogado do presidente Lula, bateu às portas das Nações Unidas alegando que o país não respeitava os Direitos Humanos e que o petista era perseguido pelo então juiz da Lava-Jato Sergio Moro. Os anos se passaram, e Moro e Flávio, como se sabe, são aliados políticos. Moraes e Zanin, colegas de toga.

Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro disse ainda que “não saiu do Brasil”, e sim “saiu pelo Brasil”, embora ainda não tenha explicado publicamente detalhes de seu plano para deixar o país sem que nem mesmo aliados tivessem conhecimento. “Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras. Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre. Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial”.

O senador disse por fim que nos próximos dias irá conversar com veículos de imprensa “sem cortes, sem filtro” para dizer “o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil”.