Com paradeiro desconhecido, Flávio tem passaporte italiano desde 2023

Polícia Federal investiga suposta viagem aos EUA após ministro Alexandre de Moraes determinar entrega de documento

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segura bandeira com a imagem do pai, Jair Bolsonaro -  (Mateus Raugust/Reprodução)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, tem cidadania italiana desde 2023 e passaporte do país europeu. A informação ganha relevância depois que o segundo colocado nas eleições presidenciais de domingo não foi encontrado nesta terça-feira, 27, e nem entregou à Justiça seus próprios passaportes, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Aliados informam que o parlamentar tem paradeiro desconhecido e pode ter viajado para os Estados Unidos.

De posse do documento italiano, extensível a todos os Bolsonaros, é possível a Flávio viajar para o exterior, mesmo sem a apresentação de um passaporte brasileiro, cancelado pela Polícia Federal depois que o parlamentar não entregou os documentos de viagem à Justiça. No domingo, encerrada a eleição, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio devolvesse os passaportes em 24 horas, embora os fundamentos que levaram os policiais a requisitar a retenção dos documentos sejam até agora desconhecidos.

De acordo com a decisão do magistrado, a Polícia Federal também deveria recolher passaportes de outras nacionalidades, como o italiano, e informar a inclusão do nome do senador no alerta migratório no sistema Sonar, o que desde já sugeria preocupações com uma eventual fuga do candidato derrotado nas eleições presidenciais de domingo. Como Flávio não encaminhou os documentos à Justiça, seus advogados foram notificados a prestar esclarecimentos. Não é possível descartar uma medida mais extrema do STF depois do descumprimento da ordem de Moraes.

Flávio Bolsonaro é investigado por crimes como desvio de recursos, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção em um inquérito que apura o financiamento da cinebiografia Dark Horse, que conta a história do pai. Em outro flanco de investigação, o processo de relatoria de Moraes apura possíveis crimes de lavagem de capitais atribuídos ao senador e ao advogado Willer Tomaz, de quem é amigo próximo. Foi dentro dessa investigação que partiu a ordem de recolhimento dos passaportes.

A suspeita de que Flávio pudesse fugir do país surgiu a partir de uma declaração de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado a quatro anos e dois meses de prisão no STF pelo crime de coação no curso do processo. A pena ao Zero Três foi imposta após ele ter articulado para que os Estados Unidos punissem o Brasil pelo julgamento da trama golpista, caso em que o ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de cadeia. Em um podcast nos Estados Unidos, na semana passada, Eduardo, que vive no Texas, afirmou que as urnas brasileiras podem ter sido fraudadas e defendeu que o irmão deixasse o país se perdesse a eleição.

Em um vídeo publicado nas redes sociais um dia depois da derrota no segundo turno, Flávio negou que tinha planos de fugir do país e afirmou que iria entregar seus passaportes à PF, o que não ocorreu. Nesta terça-feira, com os rumores de fuga, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) deu o tom do discurso que tende a ser explorado pela direita nos próximos dias. Em uma mensagem em suas redes sociais, escreveu: “Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”.