Política
Flávio Bolsonaro foge para os EUA após descumprir ordem de Moraes
Investigado no STF, o senador deixou o Brasil com a mulher e as duas filhas após perder a eleição. A rota usada pela família ainda não foi esclarecida
BATANEWS/REDAçãO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira 27 e está a caminho dos Estados Unidos com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas, Luiza, de 14 anos, e Carolina, de 12. A informação foi inicialmente noticiada pelo Metrópoles e depois confirmada por CartaCapital junto a aliados do candidato derrotado na eleição presidencial.
A viagem ocorre um dia depois de o senador afirmar que não pretendia deixar o Brasil e descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
O prazo de 24 horas estabelecido por Moraes terminou pouco depois das 11h desta terça. Flávio não apresentou os documentos , e a PF cancelou os passaportes brasileiro e diplomático do senador em seus sistemas – o que não impede o senador de usar os documentos para entrar em outro país.
Em 2019, Flávio solicitou o reconhecimento da cidadania italiana e conseguiu um passaporte com a bandeira da Itália em 2023. Isso pode ter facilitado a fuga.
A saída do senador do território brasileiro foi relatada inicialmente pelo portal argentino Infobae , que noticiou uma possível travessia da fronteira com a Argentina e uma viagem aos Estados Unidos em um jato particular. A rota, no entanto, ainda não foi esclarecida. A PF não encontrou registro de saída de Flávio por postos oficiais de controle migratório, e as autoridades argentinas afirmaram não ter registro de sua entrada no país. Fontes confirmaram que ele está a caminho dos Estados Unidos, mas não esclareceram como deixou o Brasil.
A primeira hipótese divulgada pelo Infobae apontava para uma travessia da fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina. De acordo com o portal, Flávio seguiria para os Estados Unidos em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa de aviação executiva Baires Fly S.A.
A aeronave, porém, não decolou no horário inicialmente previsto. O jato tinha partida programada para a madrugada desta terça-feira, mas o voo foi suspenso depois de não serem apresentados o plano de voo e a lista definitiva de passageiros. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, o avião permanece no aeroporto de Puerto Iguazú.
À Folha de S.Paulo , o piloto Mauro Mattosinho afirmou que viu a lista de passageiros na qual constava o nome de Flávio Bolsonaro. Segundo o Clarín, o avião só não decolou porque um dos passageiros apresentou um “problema'.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina divulgou uma nota informando que não havia registro de entrada de Flávio no país. O órgão também informou que iniciou verificações sobre o avião e sua tripulação e que não foi apresentado um plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
A ausência de registros migratórios alimenta a hipótese de que o senador tenha atravessado a fronteira por uma passagem não oficial, possivelmente a pé. Outra possibilidade mencionada nos bastidores é uma saída por Roraima, com passagem por Caracas, na Venezuela, em uma rota semelhante à fuga do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que está nos Estados Unidos. Não há, porém, confirmação de que Flávio tenha utilizado esse caminho.
A Polícia Federal acionou autoridades argentinas e realiza diligências para esclarecer a rota utilizada.
A saída do senador provocou confusão entre aliados e advogados que atuam em sua defesa. Durante a manhã, pessoas próximas à família Bolsonaro negaram os relatos de que ele teria deixado o País. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, chegou a ironizar a notícia, enquanto Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, havia afirmado que Flávio não havia saído do Brasil.
A CartaCapital, aliados relataram dificuldade para falar com o senador desde as primeiras horas do dia. A situação mudou quando esses mesmos aliados passaram a confirmar, inclusive nas redes sociais, a informação de que Flávio havia deixado o País.
O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado de primeira linha da família Bolsonaro e que vive nos Estados Unidos, disse no X que foi procurado por jornalistas nesta manhã. Em uma mensagem publicada, disse que não se pronunciaria sobre o assunto e pediu que a imprensa cessasse as tentativas de contato.
A movimentação ocorre depois de Eduardo Bolsonaro defender, em 23 de outubro, que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial . A derrota para Lula (PT) foi confirmada no domingo 25. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do País. Com certeza', declarou ao podcast Louder with Crowder.
Na segunda-feira 26, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais relatando que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Na gravação, o senador afirmou que cumpriria a determinação e que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula. “Vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar', declarou.
Assista ao vídeo:
No domingo, depois de perder a eleição presidencial, Flávio também havia afirmado que “não desistiria do Brasil', apesar de contestar o resultado e anunciar que pediria a anulação do pleito.
A decisão de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve o senador e o advogado-amigo Willer Tomaz.
A saída do Brasil ocorre enquanto o senador é alvo de duas investigações da Polícia Federal que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Uma delas apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse , produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A investigação envolve recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master , e busca esclarecer o destino dos valores e a eventual utilização de parte do dinheiro para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A outra investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro em operações envolvendo empresas ligadas a Willer Tomaz e plataformas de apostas.
Flávio nega irregularidades e afirma manter uma relação de amizade com Willer. O advogado também contesta as suspeitas.
O senador ficará sem mandato a partir de 1º de fevereiro de 2027, quando termina sua atual legislatura no Senado. Com isso, perderá o foro privilegiado .
Credito. Carta Capital / Vinícius Nunes







