Política
Sem Lula nem Flávio, primeiro debate das eleições tem esvaziamento inédito
Debate da Band, tradicionalmente o primeiro da campanha, acontecerá apenas com candidatos que não pontuam dois dígitos nas pesquisas
BATANEWS/VEJA
O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República acontece na noite deste domingo, 23, às 20h, na TV Bandeirantes. Tradicionalmente, a emissora é a primeira a promover um confronto entre os presidenciáveis, mas o deste ano terá um ineditismo: sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), será a primeira vez que o evento reunirá apenas nomes com menos de 10% de intenção de voto nas pesquisas.
Os únicos participantes devem ser Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). O levantamento mais recente, o do BTG/Nexus publicado na última segunda-feira, 17, mostra Caiado com 5%, Santos e Zema com 4% cada, e Cury, com 1%.
Lula se recusou a comparecer diante do convite a Zema e Renan Santos –de acordo com a lei eleitoral, as emissoras não têm a obrigação de chamar candidatos de partidos que não têm, no mínimo, cinco representantes no Congresso eleitos em 2022. Se participasse, o presidente seria o único candidato de esquerda e alvo de todos os demais.
Sendo assim, Flávio também decidiu não ir: na ausência do petista, os adversários concentrariam as críticas nele, vice-líder das pesquisas. Essa também está sendo a estratégia dele em relação à participação em sabatinas.
A Band já avisou que vai manter vazios os púlpitos de Lula e Flávio, e que vai mencionar a decisão de ambos de não comparecerem em diversos momentos ao longo do programa. A emissora abre a rodada de debates presidenciais em praticamente todos os ciclos desde a redemocratização: as exceções são 1994, quando a TV Manchete foi a pioneira, e 1998, quando não houve nenhum debate diante da recusa do então presidente Fernando Henrique Cardoso em participar.
Desde então, esses eventos contaram com os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas. Em 2018, Lula liderava as intenções de voto, mas não pôde estar presente porque estava preso em Curitiba, e Fernando Haddad ainda não havia sido oficialmente indicado como candidato. O vice-líder, Jair Bolsonaro (PL), compareceu, assim como a terceira colocada, Marina Silva. Em 1989, o líder nas pesquisas, Fernando Collor (PRN), também optou por não comparecer. Na ocasião, porém, o segundo e o terceiro colocados, Lula e Leonel Brizola (PDT), estiveram presentes.
A escolha de Lula e Flávio em não participar contraria o interesse da população: de acordo com o mesmo levantamento Nexus/BTG divulgado na segunda-feira, 86% pretendem assistir aos embates, tanto ao vivo quanto por cortes na internet. O evento é importante para os eleitores que já tem candidato definido, mas também para os indecisos e quem disse que vai anular o voto: 68% desse público disse que assistirá aos confrontos de alguma forma.





