Exportações de carne bovina seguem em alta, mas ritmo desacelera diante de incertezas com a China

Embarques brasileiros mantêm crescimento em julho, com receita das exportações de carne bovina em forte alta impulsionada pelos preços, enquanto mercado acompanha expectativa pelo esgotamento da cota chinesa.

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

As exportações brasileiras de carne bovina continuam registrando números positivos em julho, mas já demonstram um ritmo de expansão mais moderado em relação aos meses anteriores. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados também pela consultoria Agrifatto, mostram que o Brasil embarcou 104,66 mil toneladas de carne bovina in natura nos oito primeiros dias úteis do mês, mantendo crescimento sobre igual período do ano passado, embora em um cenário de maior cautela no comércio internacional.

O mercado acompanha de perto a situação das exportações para a China, principal destino da carne bovina brasileira. A expectativa é que o país asiático confirme em breve o esgotamento da cota anual destinada ao Brasil, fator que tem levado frigoríficos e importadores a adotarem postura mais conservadora nas negociações, mesmo diante da forte demanda internacional. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Starlink no celular: veja como saber se seu aparelho vai ter internet via satélite Crescimento continua, mas em ritmo menor

Na parcial de julho, a média diária de embarques alcançou 13,08 mil toneladas, avanço de 8,7% frente às 12,04 mil toneladas por dia registradas em julho de 2025.

Embora o resultado permaneça positivo, o desempenho representa uma desaceleração no ritmo observado ao longo dos últimos meses, especialmente em função das incertezas envolvendo o mercado chinês.

Por outro lado, os preços seguem sustentando a rentabilidade das exportações brasileiras.

O valor médio da carne bovina exportada atingiu US$ 6.383,20 por tonelada, alta de 15% sobre julho do ano passado, refletindo um mercado internacional ainda aquecido para a proteína brasileira. Receita das exportações de carne bovina cresce 25% na parcial de julho

Com preços mais elevados, a receita das exportações apresentou desempenho ainda mais expressivo.

Nos oito dias úteis contabilizados até o momento, o Brasil faturou aproximadamente US$ 668,1 milhões, com média diária de US$ 83,51 milhões.

O resultado representa um crescimento de 25% na comparação com a média diária registrada em julho de 2025, demonstrando que a valorização da proteína continua compensando parte da desaceleração no ritmo dos embarques. Junho fechou com recorde histórico

Segundo levantamento da Agrifatto, baseado nos dados oficiais da Secex, junho de 2026 registrou o melhor desempenho da história para o mês.

Considerando todos os produtos da cadeia bovina — carne in natura, industrializados e miúdos — o Brasil exportou 324,35 mil toneladas, superando o recorde anterior de junho de 2025.

Na comparação com maio deste ano, houve crescimento de 6,24%, enquanto frente a junho do ano passado o avanço chegou a 13,55%.

Somente as exportações de carne bovina in natura alcançaram 279,68 mil toneladas, crescimento de 6,77% sobre maio e de 16% na comparação anual. Faturamento se aproxima de US$ 2 bilhões

Além do aumento no volume, o preço médio da carne exportada também permaneceu em patamares elevados.

Em junho, a tonelada foi negociada, em média, a US$ 6.094,25, valorização de 20,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

Com isso, a receita total das exportações brasileiras de carne bovina atingiu US$ 1,97 bilhão, resultado 36,52% superior ao registrado um ano antes, consolidando um dos melhores momentos da pecuária exportadora brasileira. Mercado segue atento ao segundo semestre

Apesar da desaceleração observada na parcial de julho, os fundamentos do mercado seguem positivos. A demanda internacional permanece firme, os preços continuam valorizados e o Brasil mantém protagonismo no comércio global de carne bovina.

O principal ponto de atenção continua sendo a evolução das compras chinesas após o preenchimento da cota anual, fator que poderá influenciar o ritmo das exportações ao longo do segundo semestre e exigir maior diversificação dos mercados compradores.

Credito. Compre Rural