Policial
Golpe das canetas emagrecedoras: bandidos simulam venda de medicamentos em nome da Anvisa
Órgão alerta para perfis falsos que vendem produtos em nome da agência; orientação é denunciar
BATANEWS/VEJA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta quinta-feira, 2, para um golpe em que criminosos usam o nome da agência para vender canetas antiobesidade, conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Segundo o órgão, golpistas têm criado páginas e perfis nas redes sociais informando falsamente que a Anvisa está comercializando esses produtos. “Não caia nesse golpe”, alerta a agência em comunicado publicado em seu site.
A orientação é denunciar esse tipo de publicação à plataforma em que ela foi veiculada e comunicar o caso à própria Anvisa por meio do site Fala.BR. Essas informações ajudam a identificar os responsáveis e a combater grupos envolvidos na comercialização ilegal de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, indicados para pessoas que vivem com obesidade e diabetes.
Além disso, o órgão recomenda que esses medicamentos sejam adquiridos apenas em farmácias regularizadas pela vigilância sanitária, com o produto na embalagem original e emissão de nota fiscal.
“Desconfie de sites e canais para comercialização de medicamentos que usam os nomes das marcas ou que adotam aplicativos de vendas e redes sociais para ofertar os produtos, e não adquira medicamentos oferecidos em grupos de mensagens”, orienta a Anvisa em nota sobre um caso de falsificação do Ozempic registrado ainda em 2024.
Agência monitora comércio irregular de canetas
A Anvisa tem apoiado operações para apreensão de canetas emagrecedoras irregulares, incluindo não só as versões falsificadas, mas as manipuladas em larga escala, prática que não é permitida, e as importadas, conhecidas como “Mounjaro paraguaio”.
Em abril, o órgão participou de uma operação da Polícia Federal (PF) com alvo na importação indevida, produção clandestina, falsificação e comércio irregular de medicamentos destinados ao emagrecimento.
A operação, chamada de Heavy Pen, foi realizada em 11 estados e cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, com o objetivo combater grupos criminosos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos.
Quem utiliza produtos irregulares coloca a saúde em risco. Não há como garantir o controle de qualidade, a presença em quantidades corretas dos princípios ativos nem que as doses vão cumprir o propósito de reduzir o peso.
Vale lembrar que esses medicamentos só devem ser utilizados após indicação médica. Dose, indicação, contraindicações, efeitos adversos, histórico de saúde e risco de falsificação precisam entrar na conversa com o médico.
Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida são indicados para pessoas que vivem com obesidade e diabetes. O uso fora das recomendações da bula, conhecido como off-label, também oferece riscos, principalmente de eventos adversos.
Dados da Anvisa indicam que 26% dos eventos adversos registrados têm relação com o uso off-label. O mais grave é a pancreatite aguda, a inflamação do pâncreas, que já foi relatada pela Anvisa e pelo governo do Reino Unido.


