Postura de Lula com Jaques Wagner em agenda na Bahia incomoda aliados

Presidente ignorou orientações e não manteve distância protocolar de ex-líder do governo, que deixou cargo após ter sido alvo de operação da PF

BATANEWS/VEJA


SEM LÓGICA - Lula e o velho companheiro: nem os petistas digeriram a versão sobre a compra de um apartamento (Paula Froes/Assessoria Jaques Wagner/.)

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem desconforto com a postura do petista com 0 ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner durante agenda em Salvador.

O mandatário ignorou as orientações dadas por auxiliares do Palácio do Planalto de manter distância protocolar do senador e chegou a chama-lo de irmão durante seu discurso.

“Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, com o Rui Costa, com o Jerônimo [Rodrigues], com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto [Alencar]. Porque a verdade é que nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”, afirmou Lula em evento na quarta-feira.

O parlamentar baiano deixou o cargo estratégico após ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF e autorizada pelo STF, que investiga fraudes e pagamentos de vantagens indevidas pelo Banco Master.

Desde então, aliados de Lula sugeriram que ele evitasse qualquer gesto ao amigo de quase 50 anos que pudesse comprometer a sua campanha à reeleição.

Dias antes da viagem, uma ala minoritária chegou a sugerir que o presidente evitasse registros ao lado de Jaques, mas a ideia não teve adesão nem mesmo dentro do governo, porque isso poderia passar uma mensagem de abandono a um aliado de décadas.