Policial
Morte a tiros é a principal causa dos homicídios em Mato Grosso do Sul
Relatório mostra que 53,2% dos assassinatos no Estado tiveram esse tipo de armamento em 2024
BATANEWS/REDAçãO
Mais da metade dos homicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2024 foi cometida com armas de fogo, conforme aponta a nova edição do Atlas da Violência, estudo divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apesar do cenário, o Estado registrou queda de 10,4% no número de assassinatos cometidos com esse tipo de armamento. Os casos passaram de 308 em 2023 para 276 neste ano.
Conforme o relatório, MS contabilizou redução de 22,9% nos homicídios por arma de fogo na comparação entre 2014 e 2024. Há dez anos, o Estado registrava 358 assassinatos desse tipo. Em nível nacional, a queda foi ainda mais expressiva: 31,2% no mesmo período.
Mesmo com a retração nos números absolutos, o percentual de homicídios praticados com armas de fogo em Mato Grosso do Sul subiu de 52,7% para 53,2% entre 2023 e 2024. Isso significa que mais da metade dos assassinatos registrados no Estado ocorreu com o uso desse tipo de armamento.
O índice sul-mato-grossense permanece abaixo da média nacional, que ficou em 70,1% em 2024, o menor percentual da década no Brasil. Estados do Nordeste concentram as maiores proporções, como Ceará, onde 85,6% dos homicídios foram cometidos com armas de fogo, seguido por Paraíba (83,9%), Amapá (83,7%) e Bahia (81,1%).
No Brasil, foram registrados 29.870 homicídios por arma de fogo em 2024, o equivalente a 14,1 mortes por 100 mil habitantes. O número representa queda de 8,8% em relação ao ano anterior e de 31,2% na comparação com 2014.
O levantamento também aponta preocupação com o avanço da circulação de armas mais modernas e letais no país. Estudo citado no relatório mostra aumento das apreensões de pistolas semiautomáticas e armas de estilo militar entre 2019 e 2023, além do crescimento do acesso irregular a armamentos desviados do mercado legal.
Os pesquisadores afirmam que houve mudança significativa no perfil das armas apreendidas no Brasil, com redução do uso de revólveres e aumento da presença de pistolas semiautomáticas. O levantamento também aponta crescimento na circulação de rifles, submetralhadoras artesanais e armamentos de origem militar utilizados por organizações criminosas.
Outro ponto destacado é o avanço de propostas legislativas que buscam ampliar o acesso às armas de fogo no país. Somente em 2025, foram identificados 53 projetos de lei considerados expansivos, incluindo propostas para ampliar o porte de armas a categorias profissionais, reduzir custos de aquisição e flexibilizar regras do Estatuto do Desarmamento.
Segundo os pesquisadores, os dados indicam relação direta entre o aumento da circulação de armas de fogo e a elevação das taxas de homicídio em diferentes períodos analisados no país.
A imagem que abre esta reportagem foi registrada em 1º de fevereiro de 2023, durante operação policial em Campo Grande que terminou com a prisão de quatro pessoas. Segundo a polícia, o grupo escondia fuzis e pistolas que seriam usados para vingar a morte de um comparsa. O arsenal foi localizado durante o cumprimento de mandados de busca em residências no Bairro Jardim Imá, onde havia suspeita de que integrantes de uma organização criminosa preparavam um ataque.
*Credito Campo Grande News





