Curiosidade: saiba como é cursar o ensino médio em diferentes países

Estudantes brasileiros relatam a experiência de estudar em escolas nos Estados Unidos e Canadá, Portugal, Guiné-Bissau, Austrália e Japão

R7 / EDUCAçãO | ALEX GONçALVES, DO R7*


Sabe como é a rotina de estudantes do ensino médio em Guiné-Bissau, na África? E que os alunos mais velhos passam na casa dos mais novos para todos irem juntos para a escola em fila, no Japão? Conheça a rotina e a realidade do ensino médio nas escolas em diferentes continentes:

Maria Eduarda Corsini Liz, 17 anos, chegou recentemente à cidade de Holland, nos Estados Unidos, onde cursa o ensino médio público. 'Se compararmos as escolas brasileiras com as americanas, a diferença é enorme', diz. Maria reúne uma lista com as diferenças e curiosidades entre a realidade brasileira e americana:

-Todos os professores são chamados pelo sobrenome; - O esporte é super valorizado; - É permitido o uso de calculadora nas aulas e nas provas; - As salas do último ano do ensino médio possuem mais de 200 alunos; - Os estudantes podem escolher quais disciplinas querem cursar e, por conta disso, estudam com jovens de diferentes idades; - Em cada semestre os alunos têm apenas seis disciplinas; - Além dos banheiros masculino e feminino, tem a opção de banheiro unissex

Gabriela de Souza Nunes, 17 anos, é natural de Tubarão, Santa Catarina e concluiu o ensino médio neste ano na Burnaby South Secondary School na cidade de Burnaby, no Canadá. Ela conta que escolheu estudar no país por saber da receptividade dos canadenses com os imigrantes. 'O Canadá já está muito acostumado a receber pessoas de fora e, na maioria, são muito receptivos', diz. Outro ponto favorável para a escolha também se deu por ter lugares repletos de lindas paisagens e opções de passeios ao ar livre

Gabriela destaca a flexibilidade de horário para a realização das atividades extracurriculares. 'Podíamos cursar culinária, fotografia, costura, moda, teatro, entre outros cursos, antes ou depois do horário escolar', conta a jovem que tinha o curso de culinária como o preferido. O que mais chamou a atenção da estudante brasileira durante o ensino médio foi o contato com pessoas de diferentes nacionalidades. 'É conviver e entender como cada um é e com a sua cultura, uma experiência de vida muito interessante', conta

Gabriel Teixeira Alves Paulino, 19 anos, e Juliana Oliveira Sobrinho, 19 anos, cursam o ensino médio no Externato Luís de Camões, na cidade portuguesa de Ovar. Gabriel se mudou para Portugal em 2021 e explica que no ensino médio (chamado de secundário) há uma variedade de cursos para seguir. 'O aluno pode escolher uma área dependendo da faculdade que quer entrar, pois cada instituição de ensino superior exige as notas de exame de áreas específicas'

Para Juliana, essa opção de escolha faz com que os alunos tenham melhor afinidade com a carreira escolhida para o futuro. 'Eu, por exemplo, quero fazer graduação em veterinária e no ensino médio pude escolher o curso de ciência e tecnologia que abrange as disciplinas que me darão base para a faculdade', explica. Os brasileiros contam que desde o ensino infantil as escolas ensinam o inglês e, no secundário, os alunos podem escolher outro idioma para estudar, como o francês

Rose Miriam Pereira da Costa Abreu é diretora de escola e trabalhou em uma instituição de ensino privada na cidade de Gabu, Guiné-Bissau.  'O ensino médio aqui é realizado no 10°, 11° e 12º anos e o ano letivo se inicia em setembro e pode seguir até junho ou julho. As notas medidas para avaliação dos alunos é considerado de 0 a 20', diz. Embora as aulas sejam ministradas em português, o sotaque é mais próximo ao de Portugal. A diretora brasileira conta que as disciplinas de história e geografia são focadas no contexto do próprio país. 'Tudo é relacionado ao continente africano. É muito difícil ter algo mais amplo de conteúdo geral de outras nações', explica

Rosana Lippi, diretora de produtos do STB (Student Travel Bureau), diz que o sistema educacional da Austrália é composto por escolas públicas e privadas. No entanto, as escolas públicas são subsidiadas pelo governo do estado e somente são gratuitas para moradores locais. 'Por lá, como no Brasil, as aulas começam no final de janeiro e terminam entre novembro e dezembro e o ano letivo é dividido em quatro termos de dez semanas cada, com intervalos de duas semanas entre eles', explica

Segundo Lippi, a média de valores para estudar o período de um ano na Austrália é AUD 10.940 (R$ 38.776,50) para o ensino médio público. Para ingressar no ensino médio, é preciso ter um conhecimento intermediário de inglês para conseguir acompanhar as aulas, além de estar na idade adequada ao ano em que pretende se matricular. Além disso, em geral, o estudante não pode ter repetido de ano nenhuma vez. Outra curiosidade é que os dois últimos anos do ensino médio não são obrigatórios, mas são destinados para alunos que pretendem ingressar em universidades. A diretora explica que o sistema de ensino também combina matérias tradicionais e vocacionais

Luan Yuuki Takamoto Mitsuyama, 15 anos, cursa o primeiro ano do médio em escola pública na cidade de Minami Minoa, em Nagano, no Japão. O jovem se mudou com a família e conta algumas curiosidades sobre o ensino japonês. 'A diferença esta na qualidade, a escola também oferece aulas de esportes, de música e de outros idiomas, além deles zelarem  pela independência da criança'

Aline Yume Takamoto Dantas, mãe de Luan, diz que os estudantes mais velhos passam na casa dos mais novos e vão todos juntos para a escola. 'Eles formam uma fila e dois alunos mais velhos ficam nas pontas fazendo a guarda dos mais novos que estão no meio', conta. 'Com a cultura independe, o meu filho teve um amadurecimento mais rápido'. As aulas ocorrem em período integral e as matérias que exigem raciocínio lógico diferem do Brasil, além de serem mais difíceis. 'Também destaco que os professores são muito respeitados, uma das profissões 'sagradas' no país'. Além disso, segundo ela, é que o governo incentiva os estudantes com um valor em dinheiro dado a cada três meses. *Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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