Política
Drástica derrota de Trump pode abrir espaço para negociações com EUA
Segundo diplomatas, clima mais favorável a acordos é tudo o que o governo brasileiro deseja e precisa no último mandato de Lula
BATANEWS/VEJA
Donald Trump agora é um presidente sem perspectiva de poder, debilitado pelo drástico repúdio dos eleitores americanos. Eles decidiram que Trump deverá atravessar os últimos 25 meses do mandato na Casa Branca enfrentando a oposição democrata em maioria na Câmara e no Senado. Já pode ser visto como um pato manco, clássica qualificação americana para presidentes politicamente fragilizados, com governabilidade limitada.
Em Brasília, no entanto, diplomatas experientes recomendam cautela. Acham melhor não subestimar um presidente que, temendo bloqueio da maioria democrata no Congresso, já anuncia disposição de usar a caneta para governar por decreto.
Sugerem, por exemplo, que o governo Lula use e abuse do pragmatismo com os Estados Unidos. Argumentam que a fraqueza política doméstica, exposta de maneira contundente nas urnas, pode acabar estimulando Trump a exibições de força na política externa para as Américas.
É a área onde o Departamento de Estado tenta desenvolver um projeto de hegemonia continental dos EUA, sob explícita resistência do Brasil, Canadá e México, os três maiores e mais ricos da região.
Além disso, argumenta-se no Itamaraty, a escalada nos litígios comerciais tem negociação prevista para este mês. Perdas se acumulam no comércio entre os dois países. Num exemplo, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 27,5 bilhões entre janeiro e setembro. A queda foi de 6,5% em comparação com igual período de 2025. Isso equivale a uma redução de 1,9 bilhão de dólares em vendas, cerca 10 bilhões de reais.
Acredita-se que a dimensão da derrota de Trump nas urnas deixará o Partido Democrata em posição confortável para inibir novas frentes de conflito externo — o repúdio à guerra contra o Irã foi decisivo no voto de protesto. Sem a carta de confronto na mesa, o clima tende a ficar mais favorável à negociação. Segundo diplomatas, é tudo o que o governo brasileiro deseja e precisa no último mandato de Lula.





