Carta de adolescente revela abuso sexual e leva MP a denunciar homem

FLáVIO VERãO


O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou um homem por estupro de vulnerável contra uma adolescente que relatou ter sido abusada entre os 7 e os 11 anos. Segundo a investigação, o suspeito era pai de uma amiga da menina e mantinha convivência próxima com a família.

O caso foi comunicado à Polícia Civil em 17 de agosto de 2026, depois que o pai encontrou uma carta escrita pela filha. No texto, a adolescente dizia que alguém que havia cometido violência contra ela ainda fazia parte do convívio familiar. O homem suspeitou de um antigo vizinho e procurou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).

Conforme os registros da investigação, os abusos teriam ocorrido quando a menina passava noites na casa da amiga. Em depoimento à perícia, ela relatou que o homem se aproveitava da ausência da mãe da colega. A adolescente afirmou que não havia mantido relações sexuais com outra pessoa.

O exame feito pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) registrou ruptura do hímen. Na avaliação, o médico-legista considerou possível relacionar o achado à conjunção carnal investigada. O laudo, porém, não pôde confirmar nem descartar a violência empregada ou outros atos libidinosos, devido ao tempo transcorrido entre os fatos e o exame.

Ao Campo Grande News, o pai contou que, antes de ler a carta, havia percebido mudanças no comportamento da filha. Ela passou a evitar a casa do vizinho, afastou-se da amiga e se isolou. A família, segundo ele, não havia relacionado esses sinais a uma possível violência.

A adolescente recebeu atendimento psicossocial, e a Justiça determinou medidas protetivas. O investigado está proibido de se aproximar a menos de 300 metros da menina e de seus familiares ou de fazer contato por qualquer meio, inclusive por terceiros.

O Ministério Público atribui ao homem o crime de estupro de vulnerável, com agravantes relacionadas à convivência e à condição da vítima. Também pediu que a denúncia seja recebida pela Justiça e que sejam ouvidas a adolescente e as testemunhas. O processo tramita em sigilo.

Procurado pela reportagem, o advogado Dijalma Mazali afirmou que o cliente nega o crime. O defensor disse ter analisado mensagens, fotografias e documentos e declarou estar convencido da inocência do investigado. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e o caso não tem condenação.