Política
Áudio atribuído a sindicalista expõe plano para adesivar ônibus no episódio que levou Zanin a prorrogar votação
Gravação atribuída ao presidente dos rodoviários orienta colocar material nos coletivos que sairiam para circular; episódio ocorre em meio à investigação sobre falta de transporte em Salvador
REPóRTERMT/PREFEITURA ATRIBUI ATRASOS à RETIRADA DE PROPAGANDA ELEITORAL.
Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, expõe uma mobilização para colocar adesivos eleitorais nos ônibus que transportariam passageiros durante o segundo turno das eleições, no domingo (25). A gravação apresenta divisão de tarefas entre integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e orientações para atuar nas garagens das concessionárias.
O material, divulgado pelo Informe Baiano, orienta os participantes a procurar os operadores e identificar antecipadamente quais veículos entrariam em circulação. A justificativa apresentada é que não havia adesivos suficientes para toda a frota.
“Eu quero que a CTB se responsabilize pelas garagens”, afirma a voz atribuída ao dirigente.
Ao distribuir as tarefas, o interlocutor menciona responsáveis por unidades identificadas como G2, G5 e G6. A recomendação é direta: “colar apenas nos carros que vão sair”.
A gravação também orienta colocar um adesivo por veículo, na parte dianteira, próximo ao lado do passageiro, sem comprometer a visão do motorista.
A propaganda eleitoral em ônibus do transporte coletivo urbano é proibida. O entendimento está registrado na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que veda esse tipo de publicidade em veículos utilizados na prestação de serviços públicos.
O conteúdo acrescenta um novo elemento à controvérsia sobre os ônibus que permaneceram nas garagens enquanto eleitores enfrentavam dificuldades para chegar aos locais de votação.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que sindicalistas colaram propaganda do PT nos veículos e que a necessidade de retirar os adesivos atrasou a operação. Segundo o prefeito, um empresário impediu a saída dos coletivos por receio de irregularidade eleitoral. A administração municipal informou posteriormente que autorizou a circulação mesmo com o material.
A fiscalização estadual, porém, apresentou informações que questionam essa explicação para a retenção da frota. Segundo o Procon-BA, foram encontrados 944 ônibus parados em nove garagens, sem constatação de adesivação generalizada. O órgão também apontou ausência de equipes operacionais e de apoio de plantão.
A Procuradoria-Geral do Estado apresentou notícia-crime ao Ministério Público Federal para apurar possíveis responsabilidades do prefeito, do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e dos sócios das concessionárias. Os documentos também foram encaminhados a outros órgãos de investigação. A responsabilização depende das apurações.
Em nota, o Sindicato dos Rodoviários repudiou tentativas de responsabilizar a entidade pela retenção dos ônibus sem apresentação de provas e defendeu a investigação dos fatos.
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