Exportações de farelo de soja crescem 11,7% e reforçam pressão sobre preços no mercado interno

Entressafra, câmbio e demanda internacional elevaram em 13,3% a cotação do farelo em Rondonópolis (MT) em setembro; embarques brasileiros chegaram a 20,2 milhões de toneladas de janeiro a setembro, enquanto problemas logísticos em Paranaguá pressionaram os diferenciais de exportação em outubro.

BATANEWS/OPR


Foto: Claudio Neves

O mercado brasileiro de farelo de soja combina recuperação das cotações e crescimento das exportações, em um movimento que aumenta a pressão sobre os custos da indústria de rações e das cadeias de produção de proteína animal. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil embarcou 20,2 milhões de toneladas do produto, volume 11,7% superior às 18,1 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025. Ao mesmo tempo, a entressafra, a valorização da soja em grão e o câmbio sustentaram os preços domésticos.

Em setembro, a cotação média do farelo em Rondonópolis (MT) alcançou R$ 1.929 por tonelada, alta de 13,3% em relação a agosto. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a média do primeiro vencimento chegou a US$ 356 por tonelada, avanço de 12,4% na comparação mensal. Os dados integram o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA.

A valorização foi mais intensa no farelo do que no óleo de soja, evidenciando uma demanda relativamente mais aquecida pela proteína destinada à alimentação animal. No mercado internacional, o movimento também foi influenciado pela recuperação dos preços da soja em grão e pelas preocupações com possíveis atrasos na colheita norte-americana.

No Brasil, a menor disponibilidade regional durante a entressafra e a postura mais firme das indústrias elevaram o custo de reposição. Do lado dos compradores domésticos, a estratégia foi concentrar aquisições nas necessidades de curto prazo, enquanto a demanda externa contribuiu para manter a sustentação das cotações.

O crescimento dos embarques brasileiros reforça a importância do mercado internacional na formação dos preços internos. Com 20,2 milhões de toneladas exportadas nos primeiros nove meses do ano, o país ampliou o escoamento do farelo em relação a 2025, aumentando a exposição dos preços domésticos às condições de demanda externa, ao câmbio e à competitividade do produto brasileiro.

A recuperação das cotações também aparece na trajetória dos preços internacionais e domésticos, que voltaram a subir depois de um período de desvalorização. A reação ganhou intensidade entre setembro e outubro de 2026, conforme a série de preços apresentada para a CBOT e Rio Verde (GO).

Esse movimento, entretanto, não ocorre de maneira uniforme. As condições de comercialização da soja em grão, as margens de esmagamento, o câmbio e a logística portuária interferem na formação dos preços e nos diferenciais de exportação.

Em outubro, problemas operacionais no Porto de Paranaguá (PR) pressionaram os diferenciais de exportação do farelo brasileiro. O episódio evidencia que, mesmo com demanda internacional firme, gargalos logísticos podem reduzir a competitividade do produto e alterar as condições de comercialização.

Para a indústria de rações, a combinação de exportações maiores e recuperação das cotações representa um fator de atenção. O farelo é uma das principais fontes de proteína das formulações utilizadas na alimentação de aves, suínos e bovinos, de modo que a elevação do custo de aquisição pode pressionar as despesas de produção, especialmente quando não há espaço para repassar integralmente os aumentos ao longo das cadeias de proteína animal.

No mercado de óleo de soja, o avanço foi menos expressivo em Chicago, mas mais significativo no mercado brasileiro. A cotação média internacional alcançou US$ 0,693 por libra-peso em setembro, alta de 0,6% sobre agosto. Em Mato Grosso, o preço médio chegou a R$ 6.271 por tonelada, crescimento mensal de 4%.

A demanda por biocombustíveis e a valorização do petróleo deram sustentação ao óleo no mercado internacional. No Brasil, a procura doméstica para produção de biodiesel, somada ao câmbio e à valorização da matéria-prima, contribuiu para elevar as cotações.

Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, o crescimento do esmagamento e a maior disponibilidade de óleos vegetais limitaram uma valorização mais intensa no mercado externo. Além disso, o desempenho superior do farelo reduziu a necessidade de aumentos mais expressivos no preço do óleo para preservar as margens industriais.

A diferença de comportamento entre os dois produtos mostra como a demanda por proteína animal e a procura por matérias-primas destinadas aos biocombustíveis influenciam, de maneiras distintas, a formação dos preços do complexo soja.