Agronegócios
Menor oferta nos EUA sustenta alta do milho, apesar da retração das exportações brasileiras
Preço médio em Chicago subiu 11,2% em setembro, enquanto a cotação em Sorriso avançou 14%; embarques brasileiros recuaram 21,5% entre fevereiro e setembro, na comparação anual.
BATANEWS/OPR
A redução da oferta projetada nos Estados Unidos e os riscos logísticos no comércio internacional deram sustentação aos preços do milho em setembro. O movimento impulsionou as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e também no mercado brasileiro, apesar do desempenho mais fraco das exportações nacionais. Entre fevereiro e setembro, os embarques brasileiros somaram 15,5 milhões de toneladas, volume 21,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, a média do primeiro vencimento do milho na CBOT alcançou US$ 5,21 por bushel em setembro, alta de 11,2% em relação a agosto. O principal fator de valorização foi a revisão para baixo das estimativas de produtividade e produção norte-americanas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No relatório de setembro, o órgão reduziu a projeção da safra dos Estados Unidos para 401,3 milhões de toneladas, queda de 7,2% em relação à temporada anterior. A perspectiva de menor disponibilidade do cereal no principal mercado produtor mundial aumentou a sustentação das cotações.
Outro componente de pressão sobre a oferta veio da região do Mar Negro. Ataques à infraestrutura portuária da Ucrânia interromperam referências de exportação marítima do país no início de setembro, ampliando os riscos de abastecimento e elevando os preços ofertados pelas principais origens exportadoras. A menor oferta projetada para a União Europeia também contribuiu para fortalecer as cotações internacionais.
No mercado brasileiro, a valorização internacional, o câmbio e o ritmo de comercialização abaixo da média histórica contribuíram para elevar os preços. Em Sorriso (MT), a cotação média chegou a R$ 54 por saca em setembro, avanço de 14% na comparação mensal.
Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, parte dos produtores manteve o foco na finalização da colheita e na implantação da safra de verão 2026/27, enquanto aguardava melhores oportunidades de venda. Esse comportamento reduziu o volume de cereal disponível para comercialização imediata e ajudou a sustentar as cotações domésticas.
A valorização, contudo, ocorreu em paralelo à perda de ritmo das exportações brasileiras. Os embarques acumulados entre fevereiro e setembro totalizaram 15,5 milhões de toneladas, recuo de 21,5% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A menor competitividade do milho brasileiro no mercado internacional limitou o escoamento da produção e conteve um avanço ainda maior dos preços internos.
O andamento da colheita norte-americana também permaneceu no radar do mercado. Até 6 de outubro, os trabalhos haviam alcançado 23% da área cultivada, avanço de cinco pontos percentuais em relação à semana anterior, quando o índice estava em 18%.
Apesar da evolução, o ritmo continuava abaixo da média de 27% registrada entre 2021 e 2025. O atraso na retirada da safra, somado à redução da produção projetada pelo USDA, reforçou a atenção do mercado à disponibilidade do cereal nos Estados Unidos.
A combinação de menor oferta norte-americana, incertezas logísticas no Mar Negro e restrições na disponibilidade europeia sustentou os preços internacionais em setembro. No Brasil, a influência de Chicago e a comercialização mais lenta compensaram parcialmente os efeitos da menor demanda externa sobre as cotações domésticas.





