El Niño pode encarecer energia e elevar custos de produção no campo

Relatório da Aneel aponta riscos para milho safrinha no Centro-Oeste

BATANEWS/CGNEWS


Equipe da concessionária de energia em trabalho de manutenção na rede próxima a propriedade rural (Foto: Divulgação)

O El Niño de 2026 e 2027 pode pressionar o orçamento das famílias e os custos de produção com energia mais cara, perdas agrícolas e queda de produtividade na indústria. Um relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aponta esses riscos ao analisar como os extremos climáticos afetam o abastecimento e a infraestrutura elétrica do país.

Documento não apresenta estimativas específicas para Mato Grosso do Sul nem para o Pantanal. Na análise regional, porém, cita riscos para o milho safrinha no Centro-Oeste e para as linhas de transmissão que atravessam áreas sujeitas a queimadas.

Na conta de luz, a pressão pode ocorrer quando a escassez de água reduz a capacidade de geração das hidrelétricas e exige maior uso de termelétricas. Essas usinas têm custos de operação mais elevados, que podem chegar ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias.

O relatório não anuncia aumento na tarifa nem define qual bandeira vigorará nos próximos meses. Ele descreve um risco econômico associado às condições de geração. Segundo a análise, o encarecimento da eletricidade pesa proporcionalmente mais sobre famílias de baixa renda.

O calor também amplia a demanda por energia. O documento aponta que ondas de temperatura elevada provocam picos de consumo, ao mesmo tempo em que exigem mais dos equipamentos responsáveis pela geração, transmissão e distribuição.

Para empresas, essa combinação pode representar pressão sobre despesas operacionais e dificuldades para manter a produção. O relatório reúne estudos que associam temperaturas extremas à redução da produtividade dos trabalhadores e das instalações industriais, além de restrições no acesso a insumos.

No campo, a análise cita perdas de milho safrinha no Centro-Oeste como um dos possíveis efeitos econômicos do fenômeno. O texto também aborda riscos para outras culturas em diferentes regiões do país, mas não calcula o tamanho de uma eventual quebra da produção sul-mato-grossense.

Outro ponto de preocupação envolve a continuidade do fornecimento. Queimadas próximas às linhas de transmissão podem provocar desligamentos. Tempestades, vendavais e inundações também ameaçam estruturas elétricas, com efeitos que variam conforme a região.

Para Mato Grosso do Sul, o relatório permite identificar riscos regionais e mecanismos de pressão sobre os custos da energia, mas não sustenta uma previsão de apagões, de aumento específico na conta de luz ou de prejuízo agrícola no Estado.

A análise também mostra como problemas em uma região podem exigir respostas do sistema elétrico nacional. Na Amazônia, por exemplo, níveis baixos dos rios dificultam o transporte de combustível para termelétricas que atendem sistemas isolados. No Sul, chuvas intensas e vendavais impõem gastos com prevenção e recuperação da infraestrutura.

Como resposta, o documento recomenda reforço das redes, monitoramento de interrupções, estoques de materiais de emergência e cooperação entre concessionárias. A proposta é reduzir danos e acelerar o retorno do serviço quando eventos extremos interromperem o abastecimento.

O relatório reúne discussões de um seminário técnico que a Aneel promoveu em agosto de 2026, com concessionárias, órgãos climáticos e representantes da defesa civil. O trabalho apresenta uma análise qualitativa dos riscos e das medidas de preparação, sem calcular uma perda econômica total para o ciclo de 2026 e 2027.