Agronegócios
Com safrinha e DDG, etanol de milho impulsiona produção de grãos
A expansão do etanol de milho no Brasil atinge marcas históricas de produção, mas enfrenta desafios de sustentabilidade para acessar mercados globais.
BATANEWS/AGROIN
A expansão da indústria de etanol de milho no Brasil transformou o cenário do agronegócio na última década, impulsionando a produção de grãos. Com projeção da Companhia Nacional de Abastecimento para atingir 10 bilhões de litros e responder por quase 30% do biocombustível fabricado no país na safra atual, o setor passa a enfrentar exigências ambientais e sociais, principalmente para atender às demandas internacionais do transporte aéreo e marítimo.
O modelo produtivo brasileiro diferencia-se das usinas norte-americanas e europeias por utilizar o milho safrinha, cultivado na segunda safra após a colheita da soja na mesma área. Essa dinâmica reduz a competição por terras agricultáveis. Além do combustível, o processamento gera os grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG, um subproduto de elevado teor proteico direcionado à nutrição animal que otimiza a ocupação das pastagens na pecuária.
Dados da Conab indicam que a safra nacional de grãos deve alcançar 367,1 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, estimulada pela colheita de 148 milhões de toneladas de milho. O avanço do cereal acompanha o crescimento das plantas de processamento instaladas próximas às áreas de cultivo no Centro-Oeste, reduzindo perdas logísticas.
Integração no campo: O uso do milho safrinha e a produção do farelo proteico DDG combinam agricultura e pecuária sem demandar expansão de área.
A entrada do etanol brasileiro em mercados internacionais de aviação e navegação exige o cumprimento de normas de rastreabilidade socioambiental em toda a cadeia. A regulamentação de combustíveis sustentáveis considera desde o manejo das lavouras até as emissões geradas no processamento industrial, pressionando as empresas por transparência na origem do grão.
A sustentabilidade das operações industriais também enfrenta questionamentos sobre a origem da biomassa usada no aquecimento das caldeiras. Investigações e relatórios do setor apontam que parte da lenha consumida em polos produtores de Mato Grosso provém de vegetação nativa, vendida a preços inferiores aos do eucalipto plantado. Relatório do Itaú BBA estima que o abastecimento das fornalhas exigirá cerca de 440 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto até o final de 2026, área que pode dobrar até 2030 para suprir a demanda por biomassa.
Analistas ressaltam que acordos sustentáveis e o acesso aos dados de regularidade ambiental dos fornecedores são etapas necessárias para evitar barreiras comerciais em blocos compradores.
Demanda por biomassa: O abastecimento sustentável das caldeiras das usinas pode exigir até 880 mil hectares de eucalipto plantado até 2030.
Para o ciclo de 2033/34, a União Nacional do Etanol de Milho projeta que a produção brasileira alcance 16,63 bilhões de litros, impulsionada por quase 30 novos projetos de biorrefinarias previstos no país. A expansão da oferta busca atendimento em setores de transporte pesado, como a navegação comercial e a aviação civil, que demandam combustíveis de baixa pegada de carbono.
Operações internacionais de abastecimento marítimo com bioetanol em grandes portos sinalizam o potencial de consumo, enquanto projetos industriais em polos químicos paulistas planejam investimentos de US$ 2 bilhões para a fabricação de combustível sustentável de aviação. A viabilidade dessas plantas depende da evolução dos custos de produção frente aos combustíveis fósseis e da definição de demandas internacionais.
As usinas mantêm os investimentos em ampliação fabril e diversificação de matérias-primas enquanto aguardam a consolidação dos marcos regulatórios globais de redução de emissões.







