Presidente da Associação Comercial de Batayporã se posiciona contra boicote político a comerciantes

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Batayporã Sidnei Olegário Marques, manifestou-se contrário às listas que circulam em grupos de WhatsApp na região incentivando consumidores a boicotar estabelecimentos comerciais por causa de posicionamentos políticos atribuídos a seus proprietários.

Em seu posicionamento, ele destacou que divergências políticas não devem prejudicar comerciantes, trabalhadores e famílias que dependem da atividade econômica para sobreviver.

“Não é porque votei na direita que devo prejudicar um amigo meu que votou na esquerda. Dentro daquele mesmo comércio existe um pai de família que trabalha ali e votou na direita, existe um jovem que precisa ajudar no sustento dos pais e muitos trabalhadores, inclusive idosos, que dependem daquele emprego. Temos que pensar nisso, porque eles são de direita e votaram na direita”, declarou.

O presidente também relatou ter enfrentado consequências pessoais por se posicionar politicamente, incluindo a perda de colaboradores e de seguidores nas redes sociais. Ainda assim, afirmou que não pretende deixar de manter amizades nem de ajudar pessoas com opiniões diferentes.

“Hoje, todos já me ligaram e reafirmaram que estou certo. Eu tenho apenas três colaboradores dentro dos comércios de Batayporã, o que significa menos de 0,1% de minha renda, diferente do que disseram não dependo do comercio de Batayporã, trabalho voluntariamente como presidente da ACEB porque amo minha cidade, peço que não façam isso, que não se deixem levar pela mágoa. O Brasil vai seguir. Deixem quem foi eleito governar. Não cabe a nós julgar ninguém. Existem pessoas do bem em todos os lugares, e eu confio e vou defender nossos comerciantes 100%, porque quero ver prosperidade”, afirmou.

Boicote político pode gerar consequências jurídicas
A preocupação com a exposição de comerciantes por suas posições políticas também encontra respaldo em um caso julgado em São Paulo. Em julho de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou dois administradores de um grupo de WhatsApp por perseguição relacionada a uma lista de boicote político a comerciantes, divulgada durante as eleições de 2022, em Cafelândia (SP).

A legislação brasileira protege a liberdade de expressão, mas também resguarda a honra e a imagem das pessoas. Os artigos 186, 187 e 927 do Código Civil tratam de atos ilícitos, abuso de direito e reparação de danos. Já o artigo 147-A do Código Penal prevê o crime de perseguição, desde que estejam presentes os requisitos legais.

A inclusão de um estabelecimento em uma lista sem autorização não é automaticamente ilegal. Entretanto, atribuir posições políticas sem comprovação, estimular hostilidades ou promover exposição abusiva pode trazer consequências jurídicas, conforme o conteúdo divulgado e as circunstâncias de cada caso.

O alerta vale para todos os lados políticos: apoiar um comércio ou optar por não comprar nele é diferente de promover intimidação ou perseguição contra quem pensa de maneira diferente.

Divergências políticas não devem prejudicar a economia local
A manifestação ocorre em meio à circulação de listas que identificam estabelecimentos como sendo de direita ou de esquerda, algumas incentivando o boicote comercial.

O presidente defende que a cidade priorize o respeito, a união e o desenvolvimento econômico, independentemente das preferências políticas de cada cidadão.

Para ele, a prosperidade do município depende da valorização dos comerciantes e da preservação dos empregos e das relações humanas, mesmo diante das diferenças de opinião.

“Quero ver prosperidade”, reforçou, ao defender que as divergências políticas não se transformem em prejuízo para quem trabalha e movimenta a economia de Batayporã.

A mensagem central é que a liberdade de expressão e a escolha do consumidor são direitos que devem ser exercidos com responsabilidade, respeito e observância da lei.

Já imaginou se todos os eleitores de esquerda deixassem de comprar nos comércios de nossa cidade? E se, da mesma forma, fossem criadas listas para boicotar os estabelecimentos cujos proprietários se identificam com a direita? Isso poderia transformar as diferenças políticas em uma disputa que prejudicaria toda a economia local. Precisamos considerar também que a realidade dos comércios do perímetro urbano é diferente daquela dos estabelecimentos às margens das rodovias, e que cada negócio tem suas particularidades, funcionários e famílias que dependem dele.

Quando um comércio é prejudicado, não é apenas o proprietário que sente as consequências, mas também os trabalhadores e seus familiares. Não podemos permitir que as divergências políticas se transformem em uma guerra entre pessoas que vivem, trabalham e constroem juntas a nossa cidade. Que prevaleçam o respeito, a união e a paz entre nós.

Nosso governador, senadores, deputados e prefeitos, independentemente de serem de direita ou de esquerda, precisam trabalhar por toda a população de Mato Grosso do Sul. É importante compreender que o diálogo e a parceria entre diferentes correntes políticas são fundamentais para trazer investimentos, projetos e programas que beneficiem nossos municípios.

O governador Eduardo Riedel e os prefeitos da região precisam manter o diálogo com o Governo Federal, que é de outro campo político, para buscar recursos e oportunidades para nossa população. A direita pode continuar firme em suas convicções, assim como a esquerda pode defender as suas, mas as diferenças políticas não devem se transformar em perseguição ou prejuízo aos comerciantes e trabalhadores.

A prioridade precisa ser o desenvolvimento de nossa região, a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida da população. No final, todos vivemos aqui, nossas famílias convivem, nossos filhos crescem juntos e nossa economia depende da colaboração de todos. Que o respeito prevaleça acima das diferenças e que Batayporã e toda a região continuem avançando, com união, diálogo e prosperidade.

“Quero ver prosperidade”, reforçou, ao defender que as divergências políticas não se transformem em prejuízo para quem trabalha e movimenta a economia de Batayporã.