Agricultura
Preços ao produtor rural sobem 4,05% no trimestre, mas acumulam queda de 6,83% no ano
Alta de 11,45% nos grãos ajuda a reduzir perdas acumuladas até setembro. Cana e café registram a maior queda, enquanto arroba bovina limita recuo na pecuária.
BATANEWS/OPR
Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros subiram 4,05% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, mas a recuperação foi insuficiente para reverter as perdas acumuladas no ano. De janeiro a setembro, o IPPA/Cepea, índice calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, ficou 6,83% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, em termos nominais, sem descontar a inflação.
A alta entre julho e setembro reduziu a intensidade da queda, que se aproximava de 10% no balanço do primeiro semestre. O movimento teve contribuição dos grãos, cujo índice subiu 11,45% no terceiro trimestre, impulsionado especialmente pela recuperação do arroz.
Apesar da reação, os quatro grupos que compõem o IPPA/Cepea permaneceram em baixa na comparação entre os primeiros nove meses de 2026 e igual intervalo do ano passado. A retração mais acentuada ocorreu no grupo cana e café, enquanto a pecuária apresentou a menor queda.
O recuo do indicador brasileiro também foi menos intenso que o dos preços internacionais dos alimentos. Convertido para reais, o índice de alimentos e bebidas do Fundo Monetário Internacional caiu 8,39% na mesma comparação.
Arroz impulsiona recuperação dos grãos O IPPA-Grãos/Cepea encerrou os primeiros nove meses do ano com queda de 3,5% frente ao mesmo período de 2025. Até junho, a retração era de 9,5%, o que mostra o peso da recuperação do terceiro trimestre sobre o resultado acumulado.
O arroz foi um dos principais responsáveis por essa mudança. Seus preços subiram quase 20% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores. Segundo pesquisadores do Cepea, a oferta de arroz em casca no Rio Grande do Sul ficou mais restrita, com produtores resistentes a ampliar as vendas, enquanto a demanda se manteve aquecida.
A recuperação recente, entretanto, não eliminou a diferença em relação ao ano passado. Na comparação entre janeiro e setembro de 2026 e o mesmo período de 2025, o arroz ainda acumulou desvalorização de 18,04%, a maior entre os produtos acompanhados no grupo.
Também ficaram abaixo dos patamares de 2025 os preços do trigo, com queda de 9,93%; do milho, de 8,45%; e do algodão, de 4,12%. A soja foi a exceção, com estabilidade nas cotações.
Cana e café concentram maior queda O IPPA-Cana-Café/Cepea recuou cerca de 30% entre janeiro e setembro, na comparação com igual período de 2025, registrando a maior baixa entre os subgrupos do indicador.
De acordo com o Cepea, o resultado reflete as fortes desvalorizações dos dois produtos. No período, os preços do café caíram 23,7%, enquanto os da cana-de-açúcar recuaram 18,6%.
Laranja pressiona hortifrutícolas Nos hortifrutícolas, o comportamento dos preços foi desigual. O índice do grupo caiu 8,58% nos primeiros nove meses de 2026 frente ao mesmo intervalo do ano anterior, pressionado principalmente pela desvalorização de 46,7% da laranja. A uva também apresentou recuo, de 15,5%.
Na direção oposta, a batata registrou alta de 39,5%, seguida pelo tomate, com valorização de 27,8%, e pela banana, com aumento de 7,6%. Essas altas, porém, não foram suficientes para compensar as perdas dos demais produtos e levar o indicador do grupo ao campo positivo.
Suíno tem maior desvalorização na pecuária O IPPA-Pecuária/Cepea caiu 2,85% em termos nominais na comparação entre janeiro e setembro de 2026 e o mesmo período de 2025. O resultado reuniu a valorização da arroba bovina e as quedas nos preços de suínos, frangos, leite e ovos.
O suíno apresentou a maior retração do grupo, de 28,94%. Na sequência, apareceram os ovos, com baixa de 16,68%; o frango, de 12,62%; e o leite, de 6,81%.
A arroba bovina, por sua vez, subiu 10,26%, ajudando a limitar a queda do indicador da pecuária. Os resultados medem a variação dos preços recebidos pelos produtores e, isoladamente, não permitem concluir como evoluíram as margens das atividades, que também dependem dos custos de produção.






