Cientista político vê possível interferência eleitoral em fechamento de representações dos EUA

Professor considera medida “estranhíssima' e diz desconhecer episódio de violência que a explique; governo americano alegou questões de segurança

BATANEWS/VEJA


A suspensão dos atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos no Brasil, nesta sexta-feira, 2, pode representar mais um episódio de interferência americana no ambiente eleitoral brasileiro, na avaliação do cientista político Rodrigo Prando. Em entrevista a Laísa Dall’Agnol no programa Ponto de Vista, o professor do Mackenzie afirmou desconhecer um fato concreto de violência que explicasse a medida, adotada por questões de segurança, segundo o governo americano (este texto é um resumo do vídeo acima).

O Departamento de Estado não detalhou as questões de segurança nem as associou à eleição de domingo.

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Por que o fechamento chamou a atenção?

O cientista político disse nunca ter acompanhado situação semelhante em sua atuação como analista de eleições. Embora espere uma disputa acirrada no primeiro turno e em um eventual segundo turno, Prando afirmou não ter conhecimento de atentado, suspeita ou acontecimento violento que justificasse a suspensão dos serviços.

“Eu acho estranhíssimo”, declarou, destacando também a decisão da Embaixada da Austrália em Brasília de fechar as portas naquele dia. Para ele, as medidas exigem atenção aos possíveis desdobramentos políticos, eleitorais e geopolíticos.

O que os governos informaram sobre as medidas?

Na apresentação das notícias, Laísa informou que os Estados Unidos não haviam detalhado a situação que motivou a decisão. Funcionários foram orientados a trabalhar de casa, e cidadãos americanos que precisassem de atendimento emergencial deveriam procurar o oficial de plantão por telefone ou e-mail, sem comparecer às representações.

Segundo as informações apresentadas no programa, o Departamento de Estado manteve o Brasil no nível dois de sua classificação de risco, em uma escala de quatro, embora algumas regiões tenham avaliação mais elevada. A representação australiana também alegou preocupações com a segurança e recomendou que seus cidadãos evitassem as instalações diplomáticas.

Como Prando relaciona o episódio à eleição?

Na avaliação do professor, o fechamento precisa ser observado à luz de outras manifestações de Donald Trump sobre o Brasil. Prando citou o anúncio de tarifas em 2025 e a posição do presidente americano contrária ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, que Trump chamou de “caça às bruxas”.

No vídeo exibido pelo Ponto de Vista, Trump afirmou acompanhar de perto a eleição brasileira e destacou a importância do país. “O Brasil é um país muito importante, um grande país. O povo brasileiro é fantástico. É uma eleição muito importante”, declarou.

Para Prando, a sequência de episódios sustenta a hipótese de uma nova tentativa de intervenção no ambiente político brasileiro. O cientista político defendeu acompanhar a situação “com cautela e com muita atenção”, sobretudo diante da adoção de uma medida semelhante pela Austrália.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.