Política
Estudo encontra alta prevalência de autismo e TDAH em jovens com diabetes 2
Análise com mais de 6 milhões de pessoas encontrou maior probabilidade diagnóstico antes dos 20 anos entre neurodivergentes
BATANEWS/VEJA
Algumas condições de saúde que acometem grandes populações não costumam ser debatidas quando se fala em neurodiversidade. Uma delas é o diabetes tipo 2, doença crônica mais acompanhada em pessoas que vivem com obesidade e idosos, mas que pode se manifestar em outras populações. Um novo estudo apresentado na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (Easd), realizada em Milão, encontrou maior possibilidade de apresentar a enfermidade entre pessoas que vivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), principalmente quando o diagnóstico ocorre em jovens com menos de 20 anos.
Os pesquisadores iniciaram a investigação partindo do cenário de aumento das taxas de diabetes tipo 2 de início precoce, que considera episódios antes dos 40 anos. A grande preocupação nessa situação é que, quanto mais jovem é o paciente diagnosticado com a doença, são esperados mais anos de contato com os efeitos deletérios e maior é o risco de complicações e morte precoce.
Paralelo a isso, a prevalência de TDAH e autismo entre pessoas com menos de 20 anos, segundo os cientistas, chega a 14% e 5%, respectivamente. Eles resolveram, então, explorar a prevalência de neurodiversidade, principalmente TDAH e autismo, em pessoas recém-diagnosticadas com diabetes 2, cujos dados estavam na rede colaborativa americana TriNetX US.
As informações avaliadas são do período de março de 2006 a março de 2026 e os voluntários foram agrupados por faixas etárias de dez em dez anos. Foram incluídos pares de 3,4 milhões de pessoas com menos de 80 anos de idade com e sem diagnóstico de diabetes, totalizando 6,8 milhões de pessoas.
De acordo com o estudo, o TDAH pode ser duas vezes mais prevalente em pessoas diagnosticadas com diabetes 2 antes dos 20 anos na comparação com o grupo da mesma idade sem a doença (14,4% versus 6,9%). No grupo de pessoas com autismo, o índice é três vezes maior (5,72% versus 1,79%).
“Pessoas neurodivergentes e aquelas que vivem com diabetes tipo 2 de início precoce provavelmente enfrentarão desafios únicos ao lidar com ambientes de saúde movimentados, ao se comunicar com profissionais de saúde e ao controlar seu diabetes”, afirmou, em nota, o pesquisador Jonathan Goldney, do Centro de Pesquisa em Diabetes da Universidade de Leicester e do Centro de Pesquisa Biomédica do NIHR, em Leicester, no Reino Unido.
O que pode explicar associação entre neurodivergência e diabetes
Embora não tenha sido estabelecida relação de causa e efeito, os pesquisadores apontam possíveis razões para a alta prevalência de autismo e TDAH em jovens diagnosticados com diabetes.
“Nossos resultados não sugerem, de forma alguma, que a maioria das pessoas com uma condição neurodivergente desenvolverá diabetes tipo 2”, destacou Goldney. “No entanto, a maior prevalência de neurodiversidade entre pessoas diagnosticadas com diabetes 2 precocemente deve ser considerada no planejamento de serviços para essa população.”
*A repórter viajou a convite da Novo Nordisk