Justiça
Lula e Flávio Bolsonaro têm motivos para se preocupar com a crise no STF
Confusão institucional apresenta um risco relevante para 2027, o de empurrar o país a um clímax de insegurança jurídica
BATANEWS/VEJA
Lula e Flávio Bolsonaro se dizem preocupados com reflexos na eleição da crise do Supremo Tribunal Federal. Eles têm bons motivos nesta reta final da disputa pela presidência da República.
Lula quer evitar sua associação à imagem pública do juiz Alexandre de Moraes, visto como aliado do governo desde o início das ações penais contra a frustrada tentativa de golpe de estado depois das eleições de 2022. Esse caso resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
O juiz Moraes agora está no centro da confusão institucional. Ela foi criada no próprio STF, desde o final do ano passado, em consequência das descobertas sobre a rede de influência montada pelo Banco Master no governo, no Congresso e no Judiciário.
Moraes está sob suspeita de ter atuado num negócio da banca de advocacia da sua família com o antigo dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso por trapaças em série no mercado financeiro. O valor do contrato é insólito no mercado de serviços jurídicos: 131 milhões de reais, o equivalente a 25,1 milhões de dólares.
Flávio Bolsonaro cumpre o ritual familiar de culpar o Supremo acima de tudo por todos os infortúnios no governo do pai. E, em particular, culpa o juiz Moraes por uma “farsa”, como diz, contra o seu pai, apenas para retirá-lo da política.
Ele tem se esforçado para mostrar que Lula e Moraes estão juntos: “Quem está votando em Lula está apoiando Alexandre de Moraes”, tem repetido.
É uma forma de atacar dois adversários de uma só vez, e, também, desviar a atenção das suas relações com o ex-banqueiro Vorcaro. Flávio Bolsonaro negociou com o ex-banqueiro Vorcaro um contrato de 124 milhões de reais, equivalentes a 23,8 milhões de dólares, supostamente para pagar a cinebiografia do seu pai.
Sequelas do caso Master podem complicar a vida de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa presidencial que, segundo as pesquisas, continua apertada. A preocupação deles se justifica.
A crise do Supremo pode, também, inflamar a campanha eleitoral para o Senado. Carro-chefe da oposição, o Partido Liberal de Flávio Bolsonaro resolveu aumentar investimentos em candidatos que julga competitivos em 24 estados e no Distrito Federal. O Partido dos Trabalhadores de Lula está apostando em 15.
Está evidente que a confusão institucional não será resolvida antes, durante ou depois das eleições. Ela tende a se espraiar pelo próximo ano e apresenta um risco relevante — empurrar o país a um clímax de insegurança jurídica.






