Agricultura
Após agosto seco, chuvas voltam ao Centro-Oeste e elevam atenção sobre trigo no Sul
Precipitações chegaram de forma irregular a Mato Grosso, Goiás e outras áreas, enquanto a umidade elevada no Sul mantém pressão sobre operações e doenças nas lavouras de trigo.
BATANEWS/OPR
Agosto foi marcado por tempo seco, baixa umidade e temperaturas elevadas no Brasil Central. As chuvas ocorreram de forma pontual, principalmente no oeste de Mato Grosso, e não alteraram de maneira significativa a umidade do solo na maior parte do Centro-Oeste. A condição favoreceu o avanço das operações no campo, com a conclusão da colheita do milho de segunda safra, do algodão e do sorgo, além do preparo das áreas para o plantio das culturas de verão.
Na primeira semana de setembro, as chuvas retornaram a partes de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e outras áreas do Centro-Oeste e Sudeste. Os volumes, no entanto, permaneceram irregulares e concentrados, segundo a edição de setembro do Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA.
A precipitação melhorou inicialmente as condições de umidade do solo, mas ainda não representa, de acordo com a consultoria, o estabelecimento da estação chuvosa no Brasil Central.
O período mais seco também ampliou a janela para a realização das atividades agrícolas. Com menos interrupções provocadas pela chuva, os produtores puderam avançar na colheita e no preparo das áreas para a próxima safra.
Chuva volta, mas ainda sem regularidade Na primeira semana de setembro, as precipitações avançaram por áreas de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e outras regiões do Centro-Oeste e Sudeste. O movimento elevou os níveis de umidade do solo depois de um agosto predominantemente seco.
A distribuição das chuvas, porém, permaneceu irregular. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, os volumes registrados ainda são insuficientes para indicar o estabelecimento definitivo da estação chuvosa no Brasil Central.
O cenário mantém a necessidade de acompanhamento das próximas precipitações, sobretudo para o planejamento do plantio da safra de verão. A regularização das chuvas será determinante para a evolução das condições de umidade nas áreas agrícolas.
Sul alterna janela de campo e excesso de umidade No Sul, agosto teve volumes de chuva abaixo do inicialmente previsto em parte da região. A redução das precipitações no fim do mês abriu uma janela para a retomada das operações agrícolas.
Com melhores condições de acesso às lavouras, avançaram os manejos do trigo e da canola, a preparação das áreas destinadas ao arroz, a colheita do milho de segunda safra no Paraná e o plantio do milho de verão.
A melhora operacional, entretanto, não eliminou os efeitos do excesso de umidade acumulado nos meses anteriores. Em algumas áreas, o solo ainda apresentou restrições para o trânsito de máquinas, enquanto as condições de umidade favoreceram a ocorrência de doenças nas culturas de inverno.
Trigo paranaense segue sob pressão Entre as culturas mais afetadas pelo excesso de umidade está o trigo, especialmente em áreas produtoras do Paraná. A combinação entre umidade elevada e períodos de menor condição operacional manteve a atenção sobre a sanidade das lavouras.
No início de setembro, o retorno das chuvas voltou a elevar esse nível de atenção no Sul. A maior disponibilidade de água pode dificultar novamente o acesso às áreas e ampliar a pressão de doenças nas culturas de inverno.
Ao mesmo tempo, uma massa de ar frio provocou queda das temperaturas e ocorrência de geadas pontuais em áreas de maior altitude. O contraste entre frio, chuvas e umidade elevada reforçou a necessidade de monitoramento das lavouras de inverno ao longo das próximas semanas.
A Consultoria Agro do Itaú BBA destaca que, enquanto o Brasil Central passa a acompanhar a evolução das primeiras chuvas de setembro, o Sul enfrenta uma dinâmica diferente, na qual o desafio está menos na falta de água e mais nos efeitos do excesso de umidade sobre as operações e a sanidade das culturas.