Custo e crédito pressionam compra de fertilizantes e ameaçam investimento no campo

Entidades do setor alertam que juros elevados, crédito restrito e aumento dos custos podem reduzir em até 20% as entregas de fertilizantes, apesar da disponibilidade de produto para a safra.

BATANEWS/OPR


Fotos: Divulgação

O produtor rural enfrenta uma combinação de custos elevados, crédito mais caro e restrito e maior pressão tributária que pode limitar a compra de fertilizantes e outros insumos para as próximas safras. O alerta é feito pela AMA Brasil, Sindiadubos, Siargs, Siacesp e Siacan, que apontam redução da capacidade de investimento no campo diante da deterioração das condições econômicas.

O problema ocorre em um mercado estratégico para a produção agrícola brasileira. O país depende de importações para mais de 90% dos fertilizantes consumidos internamente, mas, segundo as entidades, o abastecimento da atual safra não é o principal ponto de preocupação.

O setor mantém capacidade logística e operacional para atender à demanda, e os volumes destinados à safra foram internalizados em níveis considerados compatíveis com a necessidade prevista. O risco está na capacidade financeira do produtor de adquirir o produto.

As empresas do setor já trabalham com a possibilidade de queda de 10% a 20% nas entregas de fertilizantes. A intensidade da redução, segundo as entidades, pode variar conforme a cultura, a região e a situação financeira dos produtores.

Uma menor utilização de fertilizantes pode significar também redução na adoção de tecnologias e no nível de investimento nas lavouras, com possíveis reflexos sobre a produtividade das próximas safras.

O cenário é agravado pelo aumento dos custos logísticos e pelas instabilidades do mercado internacional, que se somam aos juros elevados e às dificuldades de acesso ao crédito rural.

Diante desse quadro, as entidades defendem medidas para reduzir os custos de produção e preservar a capacidade de investimento dos agricultores.

Entre as propostas estão a desoneração de fertilizantes e outros insumos, a renegociação das dívidas rurais, a ampliação da oferta de crédito, o fortalecimento do seguro rural e a revisão de distorções na política de fretes.

Para as entidades, a redução do custo dos fertilizantes tem efeito direto sobre a estrutura de custos da produção agrícola e, consequentemente, sobre a capacidade do produtor de manter os investimentos necessários para as lavouras. “A mensagem é clara: reduzir o custo do fertilizante é reduzir o custo da agricultura. Garantir condições para o produtor investir hoje é proteger a produtividade, a competitividade e a segurança alimentar do Brasil amanhã', afirmam.