Anvisa aprova novo tratamento para câncer de intestino

Medicamento é indicado para adultos com câncer colorretal que se espalhou para outras partes do corpo e já foram tratado

BATANEWS/VEJA


Câncer colorretal: casos têm aumentado entre os jovens adultos (SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

Um novo tratamento para casos de câncer de intestino com metástase, quando o tumor se espalhou para outras partes do corpo, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O fruquintinibe, de nome comercial Fruzaqla, é indicado para pessoas que já receberam outro tipo de tratamento e, em estudo, demonstrou aumentar o tempo de vida dos pacientes. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, 31.

Para a aprovação, a agência considerou o aumento “estatisticamente significativo da sobrevida global e da sobrevida livre de progressão” que o medicamento apresentou em um estudo ao qual foi submetido, beneficiando pacientes com metástases que foram tratados previamente.

A Anvisa também detalhou os tratamentos prévios que os pacientes devem ter recebido para serem aptos ao uso do novo medicamento:

Como o fruquintinibe funciona

Segundo a Anvisa, o fruquintinibe é um medicamento que bloqueia, de forma específica, alguns receptores importantes para a ação do VEGF, uma substância que estimula a formação de novos vasos sanguíneos, como VEGFR-1, VEGFR-2 e VEGFR-3.

“A formação de novos vasos é essencial para que os tumores cresçam, pois eles precisam de sangue para receber oxigênio e nutrientes”, explica.

Dessa forma, impede a formação de novos vasos que alimentariam o tumor, contendo o seu crescimento. “Em resumo, Fruzaqla ‘corta o suprimento’ de sangue do tumor e assim ajuda a controlar a doença.”

Câncer colorretal

O câncer colorretal é o exemplo mais emblemático de tumores que estão aparecendo com mais frequência em adultos jovens. Estudos apontam que, em comparação com a década de 1950, essa população enfrenta um risco duas vezes maior de desenvolver a doença no intestino grosso e quatro vezes maior de enfrentar um diagnóstico no reto.

Os sinais de alerta são sangramento nas fezes, dor abdominal, perda de peso, anemia e mudanças nos hábitos intestinais.

Aumentar o consumo de fibras, evitar o consumo de embutidos, praticar atividades físicas e não fumar são formas de prevenir a doença.

Detecção precoce

Médicos costumam direcionar um paciente para a investigação quando há suspeita da doença ou histórico do tumor na família.

Um dos primeiros exames solicitados é o teste de imunoquímica fecal, mais conhecido como pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele costuma apontar os pacientes que devem ou não receber a indicação para fazer a colonoscopia. Outro exame é o DNA das fezes, que avalia mutações em células de regiões suspeitas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a colonoscopia é considerada o padrão-ouro para investigação das lesões. Além da observação do cólon e do reto, é possível fazer a coleta de tecidos para biópsia.

O rastreamento de rotina com a colonoscopia é indicado a partir dos 50 anos e, em casos de baixo risco, deve ser repetido a cada cinco anos.

Quando são detectados pólipos na região, pode ser feita a retirada durante o procedimento. Isso é importante para a prevenção, porque essas lesões benignas podem evoluir, de forma lenta, para tumores.

No Sistema Único de Saúde (SUS), acabou de ser incorporado um teste de alta tecnologia para detecção das lesões antes do aparecimento dos sintomas sem a necessidade de exames invasivos,o FIT, sigla em inglês para Teste Imunoquímico Fecal.

O FIT, uma evolução do exame de sangue oculto nas fezes, será o teste de referência para pessoas de 50 a 75 anos assintomáticas.