Política
Especialistas apontam fatores decisivos para eleger o novo presidente da República
Desempenho da economia, índices de rejeição e até a abstenção dos eleitores no dia da votação podem ajudar ou atrapalhar um candidato
BATANEWS/VEJA
No próximo dia 4 de outubro, 158,7 milhões de eleitores irão às urnas para escolher um novo presidente da República, numa eleição que até aqui está polarizada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A Veja, especialistas dizem o que pode decidir uma disputa que se anuncia acirrada.
Entre os fatores que eles consideram mais importantes estão o desempenho da economia, os índices de rejeição dos candidatos e o nível de abstenção. Lula tem enfrentado uma safra de notícias negativas na economia, como recorde no número de famílias inadimplentes, aumento do número de recuperações judiciais, prejuízos nas estatais e perspectiva de recessão em 2027. Mas acumula dados positivos em emprego e renda, por exemplo.
Professora de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco, Nara Pavão diz que a reeleição de Lula está condicionada ao desempenho econômico do governo. “A questão da economia pode ser uma condicionante para a eleição, a capacidade do governo Lula em mobilizar as pessoas com base em políticas públicas, nos ganhos sociais, nos programas de transferência de renda”, diz.
Nara acrescenta que uma eventual abstenção alta na eleição pode ter um impacto mais negativo para a votação do candidato do PT. “A abstenção atrapalha mais o Lula, pelo perfil sociodemográfico, de quem tende a não votar. Em geral, é uma população associada mais a Lula do que a Flávio Bolsonaro”, afirma.
Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio, Christian Lynch também aponta a percepção sobre a economia como fator decisivo na eleição. “Quem vai decidir a eleição é entre 5% e 10% dos independentes”, diz.
Cientista político e professor do Departamento de Gestão Pública da FGV/EAESP, Marco Antônio Carvalho Teixeira diz que tudo indica que Lula e Flávio serão mesmo os grandes protagonistas desta campanha. “Ambos têm dificuldade de abrir vantagem porque têm rejeições semelhantes”, registra. “Para o Lula, o que pode determinar a vitória é não haver muita crise daqui pra frente”.
Para os cientistas políticos, o tema da corrupção não deverá ser o fator mais relevante para os eleitores ainda indecisos. Esta semana, VEJA revelou detalhes do inquérito que investiga tráfico de influência no governo do filho mais velho do presidente, Fábio Luís. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é investigado por pedir dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para uma cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro.
”A corrupção vai ter influência na eleição, mas cada vez mais marginal. O tema da corrupção hoje em dia está muito saturado na política brasileira”, diz Nara. Christian Lynch concorda: “Os escândalos todos se evaporam de acordo com o surgimento do escândalo seguinte”.





