Só um partido tem mais mulheres do que homens como candidatos em 2026

Unidade Popular (UP) registrou 100 mulheres entre os 188 candidatos a todos os cargos. PRTB é a sigla com a menor representação de mulheres: 17%, com 2 candidatas entre 12 concorrentes. Lei eleitoral define cota mínima de 30% para mulheres.

BATANEWS/G1


Urna eletrônica eleições mulher — Foto: Tribunal Superior Eleitoral/TSE

A Unidade Popular (UP) é o único dos 30 partidos brasileiros com mais candidatas mulheres do que homens nas eleições de 2026: 53% de mulheres entre os candidatos.

No total, a participação feminina nacional é de 35% em 2026. O PRTB apresenta o menor índice de candidaturas de mulheres, com 17%, e o PCB aparece na sequência, com 22%.

Os dois partidos estão abaixo da cota mínima de 30% de mulheres, como define a lei eleitoral. Pela regra, cada gênero deve ter pelo menos 30% das candidaturas e, no máximo, 70%.

Para a cientista política Luciana Santana, a baixa presença feminina é resultado da forma como as legendas recrutam candidaturas e distribuem os recursos financeiros.

Dados da Justiça Eleitoral indicam que apenas um dos trinta partidos brasileiros tem mais mulheres do que homens entre os candidatos registrados para concorrer nestas eleições 2026.

A Unidade Popular (UP) tem 53% de candidatas mulheres entre os 188 escolhidos pelo partido para disputar vagas nas Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado, governos estaduais e a Presidência. São 100 mulheres e 88 homens.

A UP tem uma chapa presidencial formada por mulheres no posto titular e na vice.

Ao todo, o Brasil tem 35% de participação feminina entre todos os candidatos em 2026. Nas eleições de 2022 eram 34%. Neste ano agora, são 7.134 candidaturas de mulheres e 13.362 de homens, em um universo de 20.496 registros.

O partido que apresenta o menor percentual de candidaturas femininas na comparação com as de homens é o PRTB, com índice de 17%. São 2 candidatas entre os 12 nomes levados pelo partido às urnas.

 lei eleitoral define que os partidos devem ter um mínimo de 30% e um máximo de 70% de candidaturas de cada sexo, o que garante que pelo menos 30% das candidaturas sejam de mulheres. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a existência de fraudes na cota de gênero com a presença de candidaturas femininas apenas para cumprir o percentual mínimo, mas, apesar disso, a Câmara dos Deputados aprovou uma anistia aos partidos por descumprirem essa lei.

Veja os números:

Quatro siglas têm ao menos 40% de participação feminina:

PC do B (45%) , com 65 mulheres entre as 146 candidaturas; Cidadania (43%) , com 63 escolhidas entre 147 nomes; PSTU (40%), com 52 mulheres nas 129 candidaturas;e PSOL (40%) , que tem 316 candidatas entre os 789 escolhidos para o pleito.

Representação feminina na disputa presidencial

A participação na disputa pela Presidência caiu pela metade em relação a 2022: de quatro para duas candidatas. Ao todo, sete mulheres integram as chapas presidenciais, com cinco representantes nas vagas para vice-presidência.

Veja as 5 propostas comuns entre Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan, Cury e Zema

Veja a representação feminina por cargos em 2026:

Especialistas veem barreiras históricas na participação feminina

Para Hannah Maruci Aflalo, cientista política, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutoranda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a comparação da presença feminina nas chapas presidenciais mostra apenas parte do problema.

"É preciso olhar que presença essas mulheres estão tendo, que lugares ocupam e se essas chapas têm estrutura, recursos, exposição e apoio político", afirma.

Luciana Santana, cientista política e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), relaciona o cenário tanto a barreiras históricas à participação feminina quanto à dinâmica política desta eleição, como a dificuldade de formar alianças à direita e os acordos estaduais.

Segundo ela, a crítica vale para todas as legendas: "Esse padrão não pode ser explicado apenas pela disposição individual das mulheres para concorrer. Ele depende dos partidos, de como recrutam as candidaturas e distribuem os recursos financeiros e institucionais."