Advogado diz que se Lulinha não fosse filho do presidente caso teria sido arquivado

Em entrevista ao GloboNews Mais nesta quinta-feira (20), advogado Marco Aurélio Carvalho diz que a investigação envolvendo o filho do presidente Lula (PT) carrega o peso de um sobrenome.

BATANEWS/G1


O advogado Marco Aurélio de Carvalho ao lado do presidente Lula (PT). — Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou nesta quinta-feira (20) que os inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva teriam sido arquivados se ele não fosse filho de Lula.

Manifestação ocorre após a Procuradoria-Geral da República defender o envio do caso para a primeira instância. A PGR diz que investigados não possuem foro privilegiado.

Os 3 inquéritos no STF surgiram da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Advogado disse que investigações não envolvem verba pública nem relação com órgão.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que atua na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou em entrevista ao GloboNews Mais nesta quinta-feira (20) que os inquéritos envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já teriam sido arquivados caso ele não tivesse relação de parentesco com o presidente.

“Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente Lula, se fosse com qualquer uma das pessoas que estão nos acompanhando, esse inquérito teria sido arquivado. Ele carrega o peso de um sobrenome', afirmou Carvalho.

A declaração ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender que os inquéritos envolvendo Lulinha sejam enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à primeira instância.

A manifestação da PGR se refere aos casos que tramitam sob a relatoria do ministro André Mendonça. Segundo a defesa de Lulinha, a Procuradoria argumentou que os inquéritos não envolvem investigados com foro por prerrogativa de função e, por isso, não deveriam tramitar no Supremo.

Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo a pedido da Polícia Federal (PF). As investigações surgiram a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é acusado de envolvimento no esquema de descontos indevidos no INSS. No entanto, ele é investigado pela PF por suspeitas de tráfico de influência e corrupção em três inquéritos diferentes (entenda mais abaixo).

Carvalho afirmou que recebeu a posição da PGR “com alegria', mas “sem surpresa', e disse que a defesa sustenta há meses que as investigações deveriam deixar o STF.

O advogado disse ainda que Lula não deseja tratamento diferenciado para o filho, mas não poderia ser submetido a um tratamento mais rigoroso em razão do parentesco com o presidente. Carvalho ainda fez uma comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O Bolsonaro mudou os superintendentes da Polícia Federal para proteger os seus filhos, para proteger o 01, 02, 03 e o 04, para proteger a sua família, primos e afins, para proteger os seus amigos e os milicianos com os quais ele governou o país', declarou Carvalho.

Durante a entrevista, Carvalho também afirmou que a repercussão em torno da posição da PGR estaria relacionada, na avaliação dele, a uma tentativa de dar uso político ao caso.