Colheita do milho acelera e chega a 15,8% da área plantada em MS

Avanço quase dobra em uma semana, mas ritmo ainda segue abaixo da safra passada

GUSTAVO BONOTTO


Colheitadeira avança sobre plantação de milho no município de Terenos. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A colheita do milho da segunda safra alcançou 15,8% da área cultivada em Mato Grosso do Sul até 17 de julho, conforme boletim divulgado nesta terça-feira pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul).

O índice representa cerca de 349 mil hectares colhidos e mostra avanço de 7,6 pontos percentuais em relação à semana anterior, quando os trabalhos atingiam 8,2% da área. Apesar da aceleração, o ritmo permanece 4,3 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra passada.

A entidade atribui o atraso principalmente ao volume elevado de chuvas registrado no início da colheita nos principais municípios produtores. Com a chegada da segunda quinzena de julho, os produtores intensificaram as operações e aproveitaram os períodos de tempo seco e menor umidade para ampliar o ritmo da retirada dos grãos.

Entre as macrorregiões acompanhadas, a sul lidera o avanço da colheita, com média de 17,5% da área já colhida. Na sequência aparecem a região centro, com 16,9%, enquanto a norte registra apenas 3%, o menor índice do Estado.

A estimativa para a safra foi mantida. A previsão é de cultivo em 2,206 milhões de hectares, produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção de 11,139 milhões de toneladas. O milho ocupa aproximadamente 46% da área destinada à soja em Mato Grosso do Sul, percentual inferior aos 75% registrados em anos anteriores. Segundo a entidade, a redução decorre da migração de áreas semeadas fora da janela mais favorável para culturas como sorgo, milheto e pastagens, que apresentam menor exposição aos riscos climáticos.

As condições das lavouras permanecem praticamente estáveis. O levantamento aponta que 71% das áreas estão em boas condições, 17,9% foram classificadas como regulares e 11% como ruins. A avaliação considera aspectos como presença de pragas, doenças, desenvolvimento das plantas e potencial produtivo.

O cenário varia entre as regiões produtoras. O nordeste apresenta o melhor desempenho, com 96,7% das lavouras classificadas como boas. Na outra ponta, a região centro reúne o maior percentual de áreas em condição ruim, com 23,8%, seguida pela sul-fronteira, com 17,7%.

Mesmo com o atraso da colheita, os primeiros resultados são considerados positivos. A Aprosoja informa que as áreas já colhidas registram produtividades entre 70 e 140 sacas por hectare, o que reforça o potencial produtivo da safra e sustenta a estimativa estadual de produção.

Para as próximas semanas, a recomendação é manter atenção às condições climáticas. O boletim aponta que a atuação de um El Niño de forte intensidade pode favorecer chuvas irregulares, ventos fortes e episódios localizados de granizo.