Pecuária
Boi gordo trava no físico, mas B3 já indica arroba mais firme no fim do ano com ágio de R$ 26/@
Mesmo com frigoríficos pressionando a arroba e o “boi-China' acumulando queda de R$ 7/@ em São Paulo, contratos mais longos da B3 seguem com ágio e mostram expectativa de recuperação no segundo semestre no mercado do boi gordo
BATANEWS/REDAçãO
O mercado do boi gordo atravessa uma semana de disputa intensa entre pecuaristas e frigoríficos. De um lado, as indústrias tentam impor preços mais baixos, apoiadas em um consumo doméstico mais fraco e na redução momentânea do ritmo de compras para exportação. Do outro, a oferta ainda não aparece de forma suficiente para permitir um alongamento confortável das escalas de abate em várias regiões do país.
Segundo análise da Safras & Mercado, os frigoríficos seguem com dificuldade para alongar as programações, o que já provoca negócios acima da referência média em algumas praças pecuária, especialmente em Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, o feriado estadual de 9 de julho também pode apertar ainda mais as escalas, reduzindo o número de dias úteis de compra e abate. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Starlink no celular é liberado após decisão da Anatel; veja o que muda para os usuários Arroba pressionada, mas mercado do boi gordo segue travado
Na média levantada pela Safras & Mercado, a arroba do boi gordo foi cotada a R$ 327,83 em São Paulo, R$ 314,71 em Goiás, R$ 309,65 em Minas Gerais, R$ 320,80 em Mato Grosso do Sul e R$ 317,30 em Mato Grosso.
Para Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o ambiente de negócios segue travado. A indústria tenta comprar de forma mais lenta, mas encontra dificuldade para recompor escalas em algumas regiões. Esse cenário impede uma queda mais agressiva em todas as praças, embora a pressão baixista continue presente.
O fator China segue no centro das atenções. Apesar da intensificação dos embarques em maio e junho, a internalização da carne nos portos chineses ocorre de forma mais lenta, retardando o preenchimento das cotas. Ainda assim, o mercado já sente os efeitos do quase esgotamento da cota de salvaguarda brasileira, de 1,1 milhão de toneladas, o que reduziu o apetite momentâneo dos compradores chineses. “Boi-China' acumula queda de R$ 7/@ em São Paulo
A pressão aparece com mais clareza no animal habilitado para exportação. De acordo com dados da Scot Consultoria, o chamado “boi-China' caiu R$ 3/@ em um único dia na praça paulista e passou a valer R$ 335/@, no prazo. O valor ainda representa um prêmio de R$ 5/@ sobre o boi comum, mas já acumula queda de R$ 7/@ em julho, frente aos R$ 342/@ registrados em 30 de junho.
Na avaliação da Scot, frigoríficos que já estavam ativos mantiveram referências mais baixas, enquanto novas ofertas abertas na terça-feira também vieram deprimidas. O movimento reforça a tentativa da indústria de testar pisos menores, principalmente em um momento de incerteza sobre o ritmo das exportações.
A Agrifatto também identificou baixo volume de negócios nas principais praças. Das 17 regiões monitoradas pela consultoria, apenas Alagoas e Bahia registraram queda no dia, enquanto o restante permaneceu estável. Mesmo assim, as escalas de abate ficaram próximas de sete dias úteis na média nacional, indicando um mercado com pouca fluidez. Consumo interno também limita reação da arroba
No atacado, os preços permaneceram acomodados. Segundo a Safras & Mercado, a eliminação precoce da seleção brasileira na Copa do Mundo reduziu a expectativa de aumento do consumo de carne bovina no período. Além disso, a proteína segue perdendo competitividade para carnes mais baratas, especialmente o frango.
Os cortes no atacado ficaram estáveis: o quarto dianteiro permaneceu em R$ 20,00/kg, o quarto traseiro em R$ 25,50/kg e a ponta de agulha em R$ 18,50/kg.
Esse comportamento mostra que a dificuldade não está apenas na exportação. O mercado interno também não oferece, neste momento, força suficiente para sustentar uma virada consistente dos preços no curto prazo. B3 sinaliza recuperação do boi gordo no segundo semestre
Apesar da pressão no mercado físico, a curva futura do boi gordo na B3 mostra uma leitura mais otimista para os meses finais de 2026. Segundo a Agrifatto, os contratos mais longos, especialmente a partir de setembro, indicam expectativa de recuperação da arroba ao longo do segundo semestre.
O contrato de novembro/26 encerrou a última semana cotado a R$ 349,45/@, com ágio de R$ 20,89/@ sobre o mercado físico, que fechou a R$ 328,56/@ pelo Indicador Datagro. Já o contrato de dezembro/26 terminou em R$ 354,50/@, com prêmio ainda maior, de R$ 25,94/@.
Para a Agrifatto, esse comportamento sugere que boa parte da pressão de baixa no curto prazo já pode estar precificada. O contrato de novembro também registrou aumento de 4,3% no número de contratos em aberto, sinalizando maior interesse dos agentes em posições para o fim do ano. Curto prazo ainda exige cautela
No físico, o viés de baixa ainda não desapareceu. A Agrifatto lembra que o fim de junho marcou a perda de sustentação dos preços, enquanto o início de julho consolidou o movimento negativo. A pressão vem principalmente do aumento da oferta de animais terminados a pasto e da redução dos embarques de “boi-China'.
Outro ponto de atenção são os rumores sobre férias coletivas em frigoríficos. Caso esse movimento se confirme, a redução no ritmo de abates pode ajudar a alongar escalas e ampliar a pressão sobre a arroba no curtíssimo prazo.
Na última semana, o Indicador Datagro recuou 2,56%, fechando a R$ 328,56/@. Na B3, o contrato de julho caiu 1,89%, para R$ 327,70/@, enquanto agosto recuou 1,24%, para R$ 331,85/@. A partir de setembro, as perdas foram menores: setembro fechou a R$ 335,90/@ e outubro a R$ 344,25/@. O que o produtor deve observar agora
Para o pecuarista, o momento exige atenção redobrada. A pressão no físico ainda pode continuar no curto prazo, principalmente se a indústria conseguir alongar escalas ou reduzir temporariamente o ritmo de abates. No entanto, os contratos futuros mais valorizados indicam que o mercado ainda enxerga espaço para recomposição dos preços no fim do ano.
Na prática, o produtor deve acompanhar três pontos centrais: o comportamento das escalas de abate, o ritmo de compras da China após o esgotamento das cotas e a evolução da demanda interna no atacado. Se a oferta de animais terminados perder força nas próximas semanas e as exportações voltarem a ganhar tração, a arroba pode encontrar suporte mais consistente.
Por enquanto, o mercado segue dividido: pressão no físico, cautela no atacado e expectativa mais positiva na B3 para o último trimestre.
*Com credito ao compre Rural





