Policial
Prisões da Operação Gutenberg são convertidas em preventivas; investigação apura esquema de R$ 27 milhões
Esquema prometia vagas no SUS em troca de contratos fraudulentos e organização criminosa teria recebido cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos
BATANEWS/REDAçãO
As prisões de servidores públicos e empresários detidos durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), foram convertidas em prisões preventivas após audiências de custódia realizadas nesta quarta-feira (8).
A operação investiga um suposto esquema criminoso envolvendo contratos fraudulentos para aquisição de livros paradidáticos com recursos públicos. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de diligências nos estados de São Paulo e Goiás.
Parte dos investigados já passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. Outros ainda aguardam a realização do procedimento judicial.
Esquema investigado
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações apontam a existência de uma organização criminosa especializada em fraudar contratações públicas para o fornecimento de livros paradidáticos.
De acordo com a apuração, o grupo teria atuado por meio do direcionamento de compras sem licitação, utilizando servidores públicos para favorecer empresas específicas em processos de contratação. Os crimes investigados incluem fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos contra a administração pública.
As investigações indicam que o esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos, valores que, segundo o MPMS, eram posteriormente distribuídos entre integrantes da organização por meio de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
Outro ponto investigado é a suspeita de que integrantes do grupo utilizavam influência na área da saúde pública para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares na rede estadual à contratação das empresas envolvidas na venda dos materiais didáticos.
Ainda conforme o Ministério Público, a organização continuava em atividade e mantinha contratos vigentes em diversos municípios do Estado no momento da deflagração da operação.
Investigações continuam
Entre os alvos da operação estão servidores públicos, empresários e outros investigados apontados como participantes do suposto esquema. As autoridades afirmam que a investigação busca esclarecer a participação de cada envolvido, identificar possíveis beneficiários e apurar a responsabilidade criminal e administrativa dos investigados.
O Ministério Público ressalta que as investigações seguem em andamento e que todos os envolvidos têm assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o processo.




