Pecuária
Famasul cobra juros baixos e seguro rural para blindar produtores
Marcelo Bertoni, presidente da Famasul, debateu hoje em Campo Grande os gargalos de custos e as demandas de crédito do agronegócio de MS.
BATANEWS/AGROIN
O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, detalhou as principais demandas econômicas e operacionais que impactam a rentabilidade dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Durante o fórum técnico realizado em Campo Grande, o líder classista apresentou uma radiografia completa dos custos de produção, apontando os caminhos necessários para garantir a estabilidade financeira das propriedades de grãos e carne bovina na safra atual.
A planilha de custos das fazendas sul-mato-grossenses vem sofrendo forte pressão devido à volatilidade nos preços dos insumos internacionais. Bertoni enfatizou que a aquisição de fertilizantes fosfatados e defensivos químicos continua consumindo fatias expressivas do faturamento obtido dentro da porteira. Essa elevação dos custos fixos, combinada com as oscilações nas cotações das commodities agrícolas nas bolsas de mercadorias, comprime a margem líquida e exige maior eficiência gerencial do produtor.
O preço do óleo diesel e o valor do frete rodoviário completam o cenário de desafios para o escoamento da produção estadual. O transporte rodoviário até os terminais ferroviários e portos de exportação encarece o preço final dos grãos, reduzindo a competitividade do produto local. A diretoria da federação acompanha o andamento das discussões logísticas para propor soluções que aliviem o bolso do produtor de cabeceira.
O encarecimento dos insumos e do frete consome os ganhos obtidos com os recordes de produtividade, exigindo ferramentas eficientes de financiamento.
A estruturação das linhas de financiamento pelo Plano Safra constitui uma das pautas prioritárias da entidade para assegurar a continuidade dos investimentos no campo. Bertoni defende a necessidade de liberação de recursos com taxas de juros equalizadas e compatíveis com a realidade da atividade pecuária. O acesso desburocrático ao crédito de custeio é o mecanismo que permite ao produtor programar a compra antecipada de sementes e corretivos de solo.
A subvenção federal ao seguro rural atua como um instrumento de proteção patrimonial indispensável diante das instabilidades climáticas recorrentes. A federação pleiteia junto ao Ministério da Agricultura a ampliação das verbas destinadas a esse fim, evitando que geadas, secas prolongadas ou excesso de chuvas dizimem o capital de giro das famílias rurais. A cobertura securitária robusta dá tranquilidade para o pecuarista investir na reforma de pastagens.
A liberação de crédito com juros acessíveis e o fortalecimento do seguro rural são prioridades para proteger o patrimônio técnico do campo.
O avanço da produtividade nas lavouras e currais de Mato Grosso do Sul depende de forma direta da qualificação profissional da mão de obra. O dirigente destacou a atuação do Senar/MS na difusão de treinamentos focados em agricultura de precisão, operação de maquinários modernos e gestão de custos. A capacitação transforma o trabalhador rural em um gestor de processos, elevando a eficiência operacional por hectare.
A introdução de tecnologias biológicas e o monitoramento digital de pragas ganham espaço com o suporte dos técnicos de assistência técnica e gerencial. O pecuarista moderno utiliza dados de pesagem eletrônica e marcadores genômicos para selecionar as melhores matrizes do rebanho Nelore. Essa modernização dos processos melhora o índice de desmame e acelera o ciclo de engorda dos animais destinados à indústria frigorífica.
A garantia de um ambiente produtivo seguro exige a manutenção da segurança jurídica no campo e a clareza nas legislações ambientais vigentes. O presidente da Famasul pontuou que o respeito ao direito de propriedade atrai fundos de investimentos internacionais e consolida o estado como um polo seguro para o agronegócio. A representação institucional trabalha de forma integrada com as forças públicas para evitar conflitos fundiários.
O fortalecimento do status sanitário do rebanho bovino sul-mato-grossense assegura a abertura de novos mercados compradores de alta renda na Ásia e Europa. Os pecuaristas investem de forma contínua em protocolos de biossegurança e rastreabilidade para certificar a origem e a qualidade da carne produzida. As vistorias técnicas das agências oficiais validam o cumprimento das normas internacionais de defesa animal nas fazendas de corte.
O volume de animais destinados aos frigoríficos mantém escalas de abate regulares no estado, regulando a oferta interna e garantindo o cumprimento dos contratos de exportação marítima no porto de Paranaguá.





