Eduardo Bolsonaro diz que filme sobre Jair Bolsonaro será 'pesadelo para a esquerda' e aposta em sucesso internacional

BATANEWS/REDAçãO


Filme foi exibido pela primeira vez - Divulgação

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, poderá se tornar um "sucesso mundial" e representar um "pesadelo para a esquerda". A declaração foi feita durante a primeira exibição pública da produção, realizada na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos.

O evento foi promovido por grupos ligados à direita americana e contou com a participação do diretor do longa, Cyrus Nowrasteh, que dividiu um painel de debates com Eduardo após a sessão.

Durante sua fala, o ex-parlamentar destacou o que classificou como uma disputa cultural e explicou que a produção foi gravada em inglês com o objetivo de alcançar o mercado internacional.

"O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial", afirmou.

Questionado sobre as controvérsias envolvendo o projeto, Eduardo mencionou apenas uma ação movida por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período eleitoral. O processo buscava impedir a exibição do filme, mas foi extinto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que entendeu que os autores não possuíam legitimidade para ingressar com a ação na Corte.

O ex-deputado não comentou o financiamento da obra pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo informações divulgadas, o empresário teria destinado pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) ao projeto até maio de 2025.

A produção também está no centro de uma investigação da Polícia Federal, que apura se parte dos recursos destinados ao filme teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita surgiu após medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal terem bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos pelo ex-parlamentar no exterior.

Durante o painel, Eduardo voltou a criticar ministros do STF e comentou o processo em que foi acusado de coação no curso do processo, sob a alegação de tentar constranger integrantes da Corte e influenciar o julgamento relacionado à suposta tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo ele, as acusações estariam relacionadas a articulações junto a integrantes do governo americano para a aplicação de sanções contra um ministro do Supremo.

"Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível", declarou.

Um dia após o evento, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A decisão também determinou sua inelegibilidade por oito anos, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa, além da perda do cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual estava afastado, e do mandato parlamentar, embora este já tivesse sido cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025.

A defesa do ex-deputado, atualmente conduzida pela Defensoria Pública da União, ainda poderá apresentar recursos contra a decisão.