Valor da produção agropecuária no Brasil cai 4,6% em um ano

Desempenho reflete quedas nos preços de commodities agrícolas.

BATANEWS/BRASILAGRO


O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) alcançou R$ 1,4 trilhão em maio; soja lidera os produtos de maior importância econômica — Foto Antônio Neto Embrapa

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) alcançou R$ 1,4 trilhão em maio, segundo dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. As lavouras continuam respondendo pela maior parcela doVBPnacional, com faturamento estimado em R$ 908,8 bilhões, correspondendo a 64% do total. Já na pecuária, oVBPé calculado em R$ 510,2 bilhões, representando 36% do valor nacional.

Segundo a Pasta, o valor da produção é 4,6% interior àquele registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho reflete, principalmente, a queda nos preços de importantes commodities agropecuárias, como cacau, laranja e arroz, além de ajustes nas expectativas de produção de algumas culturas.

Entre as culturas com melhor desempenho, destacam-se a batata-inglesa (22,3%), o feijão (12,6%), a mandioca (8,1%), o tomate (5,6%) e a banana (3,0%).

Por outro lado, as maiores reduções foram observadas no cacau (-56,8%), na laranja (-38,0%), no arroz (-30,0%), na mamona (-20,1%), no trigo (-18,2%), no amendoim (-14,8%), na uva (-11,4%) e no algodão (-10,2%). No geral, o valor da produção das lavouras apresentou redução de 5,9% em maio

Embora a atividade pecuária tenha registrado recuo de 2,2% em relação a 2025, a bovinocultura continua apresentando desempenho positivo, com crescimento de 8,9%, alcançando R$ 248,7 bilhões. Em contrapartida, foram observadas reduções nos segmentos de suínos (-20,3%), frango (-10,4%), ovos (-7,9%) e leite (-4,8%).

Soja em destaque

Entre os produtos agropecuários de maior relevância econômica, a soja permanece na liderança, com valor estimado em R$ 338,5 bilhões, seguida pelo milho (R$ 162,2 bilhões), pela cana-de-açúcar (R$ 110,8 bilhões), pelo café (R$ 109,6 bilhões) e pelo algodão (R$ 33,2 bilhões). Juntos, esses cinco produtos respondem por aproximadamente 53,2% doVBPnacional.

No segmento pecuário, a bovinocultura lidera, com R$ 248,7 bilhões, seguida pela avicultura de corte, com R$ 106,7 bilhões; pelo leite, com R$ 73,6 bilhões; pela suinocultura, com R$ 53 bilhões; e pela produção de ovos, com R$ 28,2 bilhões. Somente a bovinocultura representa cerca de 17,5% doVBPtotal estimado para o país.

Em relação ao cenário regional, Mato Grosso lidera em termos de valores brutos apurados, com R$ 213,5 bilhões, correspondendo a 15% do total. Na sequência, aparecem Minas Gerais, com R$ 171,6 bilhões (12,1%), e São Paulo, com R$ 159,6 bilhões (11,2%) (Globo Rural, 17/6/26)

Receitas da agropecuária caem em 2026, após sete anos em alta

O VBP (Valor Bruto da Produção) agropecuária brasileira, depois de sete anos em alta, terá aprimeira quedanesta safra 2025/26. Apesar dorecorde que será atingidoem volume, os preços médios de negociação perderam força neste ano, conforme estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

O Ministério daAgriculturaestima um VBP de R$ 1,42 trilhão para este ano, 4,6% a menos do que em 2025. Até mesmo a soja, que teve uma safra recorde de 180 milhões de toneladas, perde 1% nas receitas obtidas dentro da porteira.

A queda de receita ocorre tanto na lavoura como na pecuária. Na agricultura, o valor de produção cai para R$ 909 bilhões, 6% a menos do que no período anterior; na pecuária, recua para R$ 510 bilhões, 2,2% a menos.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), entidade ligada à Esalq, e que acompanha os preços no campo, aponta as principais quedas no setor. Importante nessa conta, o arroz, apesar de uma safra menor neste ano, voltou a ter uma tendência de queda nos preços. Essa queda é ajudada pelo varejo, que diminui as compras, uma vez que encontra dificuldades na venda do cereal. O VBP do arroz retrocede para R$ 15,1 bilhões neste ano, 30% a menos do que o de 2025.

O café, em vista da maior oferta mundial e das perspectivas de safra recorde no Brasil, tem forte queda de preços, e o VBP do setor recua para R$ 110 bilhões, 8% a menos. As recentes chuvas em parte das áreas da produção nacional colocam em dúvidas o volume a ser produzido, o que pode mudar os preços médios.

A cana-de-açúcar, terceiro principal produto em receitas, também rende menos neste ano. A maior oferta internacional de açúcar derruba os preços internacionais, afetando o mercado interno. As receitas com a cana devem ficar em R$ 111 bilhões, 9% a menos.

O milho vem com preços baixos desde o ano passado, e a previsão de uma boa safrinha, que já está sendo colhida, segura ainda mais os valores de negociações do cereal. Nos cálculos do Ministério da Agricultura, o VBP do milho retrocede para R$ 162 bilhões, 6% a menos.

Na pecuária, o ritmo de produção continua acelerado neste ano, mas a forte demanda pelo mercado externo dá suporte aos preços. A produção de carne bovina atingiu o maior patamar em um primeiro trimestre neste ano, o mesmo ocorrendo com as defrangoe de suínos.

O mercado externo, no entanto, dá suporte aos preços. As receitas previstas para a pecuária bovina são de R$ 249 bilhões neste ano, 9% acima das de 2025. Já os segmentos de frango e de carne suína terão recuos de 10% e 20%, respectivamente. A exportação de carne bovina aumentou 15% de janeiro a maio; a de frango, 8,7%, e a suína, 5%.

O VBP acompanha 17 produtos na área agrícola e cinco na de pecuária. As estimativas de receitas são com base no volume de produção e perspectivas de preços obtidos pelos produtores dentro da porteira (Folha, 18/6/26)