Pecuária
Bezerro dispara e reposição já custa mais de R$ 5.000/cab, pressionando margens da pecuária
Alta da reposição eleva o custo de entrada nas fazendas e reduz o poder de compra dos terminadores; em alguns estados, o bezerro já supera R$ 5 mil por cabeça
O mercado de reposição segue aquecido em 2026 e vem impondo um desafio crescente aos pecuaristas que dependem da compra de animais para recria e engorda. Enquanto o bezerro acumula valorização expressiva e renova máximas históricas, o boi gordo enfrenta maior volatilidade, deteriorando a relação de troca e comprimindo as margens dos terminadores.
Os números mais recentes do Cepea, Agrifatto e indicadores estaduais mostram que o preço do bezerro continua em trajetória de alta, refletindo a menor oferta de animais jovens e a expectativa positiva para a pecuária de corte nos próximos ciclos. O resultado é um mercado de reposição cada vez mais valorizado e uma conta mais apertada para quem precisa repor o rebanho. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Por que alguns cavalos valem milhões? Conheça as raças mais valorizadas do mundo Relação de troca piora e acende alerta
Segundo levantamento da Agrifatto, a relação de troca entre o bezerro de 200 kg e o boi gordo de 18,94 arrobas encerrou maio em 1,98 cabeça por cabeça na média nacional, queda de 2,49% em relação a abril. No acumulado do ano, a perda já chega a 14,66%, permanecendo quase 14% abaixo da média histórica.
A deterioração ocorreu porque o boi gordo registrou recuo de 2,31% em maio, encerrando o mês com média nacional de R$ 340,78 por arroba, enquanto a reposição manteve firmeza nos preços.
Para os recriadores e invernistas, isso significa que cada vez mais arrobas são necessárias para comprar um único bezerro. Bezerro bate recorde histórico
Dados da Agrifatto mostram que o bezerro encerrou maio cotado a R$ 3.255,20 por cabeça, equivalente a R$ 500,80 por arroba, o maior valor da série histórica. Na 22ª semana do ano, a categoria acumulava valorização anual de 23,2%.
Já o indicador Cepea/Esalq para Mato Grosso do Sul registrou R$ 3.416,37 por cabeça em 2 de junho, reforçando o cenário de sustentação dos preços.
A valorização é resultado principalmente da oferta mais enxuta de animais para reposição, fenômeno observado após anos de retenção de fêmeas e recuperação do ciclo pecuário. Ágio do bezerro alcança maior nível de 2026
Outro dado que chama atenção é o ágio do bezerro em relação ao boi gordo.
Levantamento da Farmnews aponta que o diferencial entre a arroba do bezerro e a arroba do boi gordo atingiu 40,3% em maio, o maior patamar de 2026 e o maior para um mês de maio desde 2021.
Embora o percentual ainda esteja abaixo dos níveis observados nos ciclos de alta de 2015 e 2021, o indicador mostra que a reposição está ficando relativamente mais cara para quem depende da compra de animais. Goiás lidera preço do boi magro; Mato Grosso do Sul tem o bezerro mais caro
Os dados de mercado de 2 de junho mostram diferenças importantes entre os estados. Boi magro (375 kg) Goiás: R$ 4.650/cabeça Mato Grosso do Sul: R$ 5.124/cabeça Mato Grosso: R$ 4.787/cabeça São Paulo: R$ 4.500/cabeça Bezerro (240 kg) Mato Grosso do Sul: R$ 3.875/cabeça Mato Grosso: R$ 3.699/cabeça Goiás: R$ 3.400/cabeça São Paulo: R$ 3.498/cabeça
Os números mostram que a valorização não está concentrada em uma única praça, mas espalhada pelas principais regiões pecuárias do país. O que esperar para os próximos meses?
A perspectiva das consultorias é de manutenção da firmeza no mercado de reposição.
A Agrifatto destaca que, apesar de o mercado futuro do boi gordo indicar estabilidade no curto prazo, não há sinais de recuperação expressiva da arroba. Ao mesmo tempo, a oferta limitada de bezerros deve continuar sustentando os preços em níveis elevados.
A Farmnews também avalia que a reposição tende a permanecer mais estável nos próximos meses, enquanto o boi gordo segue sujeito à volatilidade do mercado físico e futuro.
Na prática, o custo da reposição continua sendo o principal desafio para os pecuaristas que trabalham com recria e engorda em 2026. Com o bezerro valorizado e o boi gordo sem acompanhar o mesmo ritmo, a eficiência produtiva e o planejamento de compra ganham ainda mais importância dentro das fazendas.
*Compre Rural / Escrito por Thiago Pereira




