Após forte alta, boi gordo recua a R$ 370/@, ajuste do mercado pode redefinir os próximos preços

Escalas de abate mais confortáveis abriram espaço para frigoríficos testarem preços menores, mas oferta limitada, exportações aquecidas e recorde da carne no atacado ainda sustentam o mercado.

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

Após semanas de valorização, o mercado do boi gordo voltou a registrar pressão negativa em importantes praças brasileiras, incluindo São Paulo. O movimento, no entanto, não representa necessariamente uma virada definitiva de tendência. O recuo nas praças pecuária ocorre em um momento de maior cautela dos frigoríficos, escalas de abate um pouco mais confortáveis e fim de mês se aproximando, período em que o consumo interno costuma perder força.

Fontes ligadas ao setor, informaram vendas a R$ 370/@ no preço a vista em Bofete, no interior de São Paulo. Porém, segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi paulista recuou R$ 2/@ nesta quinta-feira (23/4), tanto para o animal comum quanto para o chamado boi-China. Com isso, as referências passaram para R$ 363/@ no boi comum e R$ 368/@ no padrão exportação, em valores brutos e a prazo. 

A pressão de baixa ganhou força porque parte dos pecuaristas passou a ofertar mais boiadas, aproveitando os bons preços vistos nas últimas semanas. Do lado comprador, frigoríficos que estavam mais afastados das compras voltaram ao mercado tentando negócios abaixo das referências, apoiados por escalas menos apertadas.

Ainda assim, o cenário não é de abundância. A oferta de animais terminados segue limitada, já que muitos produtores continuam segurando lotes no pasto, favorecidos pelas condições ainda razoáveis das pastagens em algumas regiões. Esse fator impede, por enquanto, quedas mais fortes na arroba.

O indicador da Datagro também apontou queda na maior parte das praças, associada ao avanço das escalas de abate em indústrias com maior poder de processamento. Entre as referências médias, São Paulo ficou em R$ 362,12/@, Mato Grosso em R$ 358,46/@, Mato Grosso do Sul em R$ 350,52/@, Goiás em R$ 344,29/@ e Minas Gerais em R$ 341,02/@.

Apesar do recuo no boi gordo, a carne bovina segue em movimento oposto. Dados do Cepea mostram que a carcaça casada bovina atingiu recorde histórico em termos reais na parcial de abril. Até o dia 20, o produto acumulava alta de 4%, sendo negociado a R$ 25,41/kg no atacado da Grande São Paulo.

Na média parcial do mês, o preço ficou em R$ 25,05/kg, o maior valor real da série histórica do Cepea, iniciada em 2001. O patamar é 11% superior ao de abril de 2025 e 44,8% acima do registrado em abril de 2024, considerando a inflação pelo IGP-DI.

Esse comportamento mostra que, embora a indústria tente pressionar a arroba no curto prazo, os fundamentos continuam dando suporte ao mercado pecuário. A combinação entre oferta restrita de animais prontos para abate e exportações aquecidas limita a disponibilidade de carne no mercado interno e ajuda a manter os preços firmes no atacado.

A Agrifatto avalia que as exportações brasileiras de carne bovina in natura continuam sendo um dos principais pilares de sustentação da arroba. Ao mesmo tempo, há cautela entre os frigoríficos diante da possibilidade de esgotamento da cota chinesa de importação, de 1,1 milhão de toneladas, a partir da virada do semestre.

Na prática, o mercado entra em uma fase de disputa mais intensa entre pecuaristas e frigoríficos. De um lado, compradores tentam alongar escalas e testar preços menores. Do outro, vendedores ainda encontram suporte em um cenário de carne valorizada, exportações fortes e baixa disponibilidade de boi terminado.

Por isso, o recuo desta semana deve ser lido com cautela. A arroba perdeu força no curtíssimo prazo, mas o mercado ainda não apresenta fundamentos suficientes para uma queda mais consistente. O comportamento das escalas, o ritmo das exportações e a aceitação dos pecuaristas às ofertas menores serão decisivos para definir os próximos movimentos do boi gordo.

*Escrito por Compre Rural Notícias