Incerteza climática aumenta risco para a safrinha no Brasil

Falta de consenso nas previsões de abril e maio dificulta o cenário e exige atenção redobrada no campo.

BATANEWS/OPR


Foto: Fernando Dias/Seapi

As projeções climáticas para o restante de abril e maio seguem sem consenso entre os principais modelos meteorológicos, aumentando a atenção do setor agrícola para o comportamento das chuvas nas áreas de safrinha.

O modelo americano aponta para volumes mais baixos de precipitação no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, indicando uma transição mais rápida para um padrão mais seco ao longo do mês. Já o modelo europeu mantém estimativas de chuvas mais próximas da média histórica, o que mantém o cenário em aberto no curto prazo.

Essa divergência reforça a importância da regularidade das chuvas, mais do que apenas o volume total acumulado. Mesmo com índices considerados adequados, a má distribuição das precipitações pode gerar períodos de estresse hídrico em lavouras que estão em fases mais sensíveis do desenvolvimento, especialmente na segunda safra. Por isso, abril segue como um mês de atenção redobrada no campo.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, no horizonte mais longo, os modelos climáticos vêm aumentando a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. A chance de neutralidade cai a partir do trimestre junho/julho/agosto, quando a possibilidade de formação do El Niño chega a cerca de 60%, com avanço gradual nos meses seguintes e probabilidade superior a 80% de consolidação do fenômeno.

Se esse cenário se confirmar, o El Niño tende a ter impacto limitado na safra norte-americana, mas pode influenciar de forma mais consistente toda a safra 2026/27 na América do Sul, reforçando o monitoramento climático para o próximo ciclo produtivo.