Policial
Clima de medo domina bairro em CG após execução de chapeiro em plena luz do dia
Vizinhos e familiares relataram à reportagem que a situação envolvendo Augusto é “complicada e perigosa'
CLARA FARIAS E GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS
Um dia após o chapeiro Augusto Diego Chamorro Cavalcante, de 31 anos, morrer ao ser baleado no Jardim Monumento, o clima no bairro é de insegurança. Vizinhos reunidos nos portões das casas descrevem a situação em poucas palavras como “complicada' e “perigosa' e, por isso, preferem voltar para dentro sem dar detalhes.
A reportagem do Campo Grande News esteve na Avenida Osvaldo Aranha, na manhã desta quarta-feira (22), e encontrou pequenos grupos reunidos na via. Todos observavam a equipe, mas, ao serem questionados, hesitavam em comentar. Um familiar que estava no local afirmou que a situação “envolve muitas coisas, é perigosa e, por isso, preferimos ficar em silêncio'.
O chapeiro foi baleado em frente a uma conveniência que, nesta manhã, amanheceu fechada. No local, marcas de giz e algumas gotas de sangue ainda indicam o ocorrido na tarde de terça-feira (21). Augusto estava sentado em frente ao portão do estabelecimento, acompanhado de outras duas pessoas, quando foi atingido por três disparos.
Conforme o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta das 14h55, quando dois homens se aproximaram em uma motocicleta Honda CG vermelha. O passageiro desceu do veículo e sacou uma pistola. Segundo testemunhas, a arma falhou na primeira tentativa, mas o autor insistiu e efetuou os disparos. Augusto chegou a avançar contra o atirador e derrubar a arma, porém o suspeito conseguiu recuperá-la e atirou mais duas vezes.
Ele foi atingido nas costas e na lateral do abdômen. Augusto foi levado por testemunhas à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, mas, devido à gravidade do quadro, foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no Centro de Terapia Intensiva.
Equipes da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol e do GOI (Grupo de Operações Investigativas) estiveram no local e constataram que o estabelecimento possuía ao menos três câmeras de monitoramento. No entanto, os investigadores relataram que as imagens do sistema foram deliberadamente apagadas antes da chegada da polícia.
Em janeiro de 2017, Augusto foi preso junto com outros dois homens na Rua Tucuruvi, a poucos metros do local onde foi baleado nesta terça-feira. Na época, agentes da DERF (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos) investigavam um ponto de tráfico de drogas e armas. No local, os agentes encontraram um tablete de maconha, uma arma de fogo, rádios de comunicação, balança de precisão, celular e utensílios usados no processamento e empacotamento da droga.




